Ponto de vista do narrador
Natália despertou lentamente sobre uma cama macia, por um instante acreditando estar sonhando. Mas o peso quente de um olhar sobre ela a puxou de volta à realidade.
Carlos Alberto a observava, sentado ao lado da cama, expressão intensa — que se suavizou assim que ela abriu os olhos.
Ela percebeu com um sobressalto que já estava vestida — as mesmas roupas da noite anterior, porém cuidadosamente arrumadas — e que o ambiente ao redor não era o quarto do motel. Pelas frestas da janela, o dourado da manhã iluminava o cômodo.
O dia havia amanhecido. E ela não estava em casa. O rubor tomou seu rosto tão rápido que queimou.
Nunca havia dormido fora.
Nunca havia dormido na companhia de um homem — ainda mais um que tinha idade suficiente para ser seu pai.
— S-Senhor Carlos Alberto, eu nunca… eu… me perdoe… — As palavras tropeçavam, sufocadas pela vergonha. — O que o senhor vai pensar de mim…?
A última parte saiu quase inaudível, mas ele ouviu.
Carlos