Ponto de vista do narrador
A manhã de segunda-feira seguia seu ritmo acelerado na faculdade. Cadu dirigiu até lá com a mente a mil — imagens da noite anterior misturadas às da cozinha no sábado. Levou Rebeca à creche-escola sem problemas, mas o sentimento que crescia dentro do peito não era raiva ou ciúmes. Era algo diferente. Uma excitação proibida, isso o deixava inquieto e, ao mesmo tempo, estranhamente vivo.
Estacionou a moto no lote habitual, tirou o capacete e caminhou para o prédio de administração. A aula de marketing digital começaria em vinte minutos. Ele precisava se concentrar. Precisava fingir normalidade.
Foi quando a viu.
Beatriz — Bia — encostada na parede ao lado da entrada, como se o esperasse. Cabelos longos soltos, olhos verdes artificiais brilhando sob o sol, um vestido curto que marcava as curvas de forma deliberada. Ela sorriu ao vê-lo, aquele sorriso que sempre carregava veneno disfarçado de açúcar.
— Cadu — chamou, a voz melosa. — Que coincidência...
El