Ponto de vista do narrador
Segunda-feira, 20h em ponto.
La Dolce Vita era o tipo de restaurante italiano que cheirava a tradição antiga e dinheiro: paredes de tijolo aparente, luzes quentes de lustres de cristal, mesas com toalhas de linho branco impecável, e um som baixo de ópera ao fundo. A sala privativa no fundo — reservada para quem não queria ser visto — tinha porta pesada, cortinas grossas e uma mesa redonda para quatro, mas naquela noite só para dois.
Carlos Alberto já estava lá, sentado de costas para a parede, uma taça de Brunello di Montalcino pela metade na mão. O terno cinza-escuro impecável, a gravata solta só o suficiente para parecer casual. Quando Bia entrou, o maître fechou a porta atrás dela com discrição.
Ela estava linda — como sempre. Vestido vermelho justo, decote profundo, cabelos soltos caindo em ondas. Os olhos verdes artificiais brilhavam com vitória antecipada.
— Oi, amorzinho — disse, sentando-se à frente dele, cruzando as pernas devagar. — Sauda