Ponto de vista do narrador
Carlos Eduardo, no entanto, havia oferecido levar Rebeca para o quarto de propósito — um pretexto perfeito. A menina já estava apagada no colo dele, mas ele demorou mais do que o necessário: arrumou os bichinhos de pelúcia, cantou uma musiquinha baixa, esperou o sono dela ficar profundo.
Tudo para ganhar tempo.
Tudo porque ouvira os sons abafados da cozinha.
Tudo porque queria ver.
Desceu as escadas em silêncio, o coração disparado cheio de uma excitação nova, proibida, que ele nem sabia nomear.
Escondeu-se na sombra do corredor, a porta da cozinha entreaberta o suficiente.
Viu tudo.
O pai virando Natália contra a bancada.
Erguendo o vestido.
Entrando nela com força.
Os gemidos abafados dela.
Os movimentos possessivos dele.
Natália gozando, o corpo tremendo, se entregando completamente.
Cadu sentiu o pau endurecer imediatamente, a respiração pesada, a mão descendo instintivamente para apertar o volume na calça.
Seu corpo reagia — quente, puls