Ponto de vista do narrador
O sábado na faculdade sempre carregava um ar de exaustão compartilhada. Salas abafadas, alunos com olheiras profundas, dedos batendo em teclados como se lutassem contra o relógio. Era um ambiente pesado — mas Carlos Eduardo estava focado.
Ou tentando estar.
O trabalho em grupo precisava ser entregue até segunda, e ele não admitia falhas. Concentrado, digitando rápido, o semblante sério chamava atenção. Sempre, principalmente dela. Beatriz Alcântara Magalhães.
Sentada ao seu lado, mexendo no próprio cabelo de um jeito aparentemente inocente, mas calculado. Olhar que se demorava alguns segundos a mais do que deveria no rosto dele. Voz baixa, arrastada, feita para perturbar.
Quando terminaram de salvar o arquivo e se despediu, ela se inclinou sobre a mesa, aproximando-se tanto que o calor de sua respiração envolveu o pequeno espaço entre eles.
— Cadu, vamos almoçar? — ela perguntou com aquela voz que sempre soava como provocação.
Ele hesitou.
E cometeu