Ponto de vista do narrador
Minutos depois, porém, Cadu se mexeu. O sono leve não durou muito — talvez pela adrenalina ainda correndo nas veias, talvez pelo peso de tudo que estava acontecendo. Ele abriu os olhos no escuro, viu Natália dormindo tranquilamente na cama ao lado. Um sorriso surgiu nos lábios dele, mas logo deu lugar a uma expressão mais pensativa.
Levantou-se com cuidado para não a acordar, vestiu uma cueca boxer e saiu do quarto descalço. Desceu as escadas até a cozinha, pegou uma garrafa de água na geladeira e bebeu metade de uma vez. Foi então que viu a luz da varanda acesa — Carlos Alberto estava lá fora, sentado numa poltrona, olhando o jardim escuro com um copo de uísque na mão.
Cadu hesitou por um segundo, mas decidiu ir até ele. Abriu a porta de correr e saiu para o ar fresco da noite.
— Não consegue dormir também? — perguntou baixinho, sentando-se na poltrona ao lado.
Carlos Alberto virou o rosto, os olhos calmos encontrando os do filho.
— Às vezes o corpo descans