Mundo ficciónIniciar sesiónKamila Lacerda e Felipe Guimarães cresceram juntos, morando lado a lado. São amigos desde que se se lembram, brincavam juntos, estudavam juntos. Tendo a mesma idade sempre foram da mesma sala na escola. Mas a amizade deles começou a mudar, o amor fraternal aos poucos se transformou e cresceu de uma forma tão grande que não cabia no peito. Felipe foi o primeiro a dar um passo adiante, ele não aguentava mais guardar para si o que sentia. O medo de perder a amizade foi ultrapassado pela vontade de viver seu primeiro amor. No aniversário de 13 anos da Kamila ele a pediu em namoro, ela aceitou radiante, pois o amava também. Mas nem tudo na vida são flores e momentos felizes. 4 meses depois os pais de Felipe tiveram que se mudar. Separando assim o casalzinho apaixonado. Eles fizeram uma promessa um ao outro. Ele prometeu que aos 18 anos voltaria para buscar sua amada e ela prometeu que esperaria por ele. Só que a data chegou e passou, sem nenhum sinal dele. Mágoas, ressentimentos e tristeza se misturavam cada vez mais com as lembranças do primeiro amor. Oito anos se passaram, e cada um foi cuidar da própria vida, pensando que o outro havia de esquecido da promessa. Mas quando duas almas são destinadas uma a outra, o tempo, a distância ou qualquer que seja o empecilho, jamais vai conseguir manter separados. Um dia qualquer de uma noite tempestuosa em que tudo parecia dar errado, trouxe o reencontro dos dois. Eles mergulham um no outro sem pensar em nada. Mas no dia seguinte a Kamila descobre algo que a afasta dele, mal sabia ela que no ventre levava consigo o fruto desse encontro explosivo. Agora Felipe precisa encontrá-la para recuperar a mulher que sempre amou.
Leer másO Reencontro
10 de março de 2017 Saio da minha caminhonete após estacionar na minha oficina. Enquanto fecho a porta, ainda de costas para a mulher que fui socorrer no meio da estrada, deserta pelo horário e pela tempestade que estourou lá fora. Escuto ela me agradecer. Meu corpo inteiro se arrepia. Sinto como se conhecesse aquela voz, mas não consigo reconhecer a quem pertence; na minha cabeça a voz parece diferente, mas, ainda assim, dolorosamente familiar. É como se uma frequência antiga, sintonizada há anos, voltasse a vibrar dentro do meu peito. Durante a ligação, quando ela me contatou, mal consegui entender o que dizia devido ao barulho do temporal, então não identifiquei quem era. Me viro devagar e me deparo com ela parada ao lado da porta do carro. Não consigo acreditar no que vejo. Penso que minha mente pode estar me pregando uma peça; talvez eu não tenha realmente recebido uma ligação à meia-noite, talvez uma desconhecida não tenha me convencido a sair de casa para rebocar o seu carro. Eu devo ter dormido e estou sonhando com ela, como fiz em tantas outras noites vazias. Mas nunca foi assim, tão real. Ela dá um passo à frente, com um olhar desconfiado. Vira a cabeça de lado, um jeito que me é muito familiar. Os olhos, aquelas esferas lindas em um tom de castanho esverdeado, se arregalaram. Em seguida, ela dá um passo incerto na minha direção, como se estivesse atravessando um campo minado de memórias. — Lipe? É você? — ela diz, com a voz falhando, embargada de emoção. — Mila? Minha Mila? Me diz que não é um sonho, que você está realmente aqui — falo com a esperança desesperada de que, dessa vez, a realidade não me escape entre os dedos. — Sou eu... — ela responde, levando involuntariamente a mão ao peito, como se precisasse segurar o próprio coração para que ele não escapasse do corpo. Em menos de meio segundo, eu chego onde ela está. O abraço que dou nela é uma mistura de saudade, alegria, tristeza e euforia. Ela está trêmula em meus braços. A aperto como se nunca mais fosse soltar, porque essa é a minha única vontade: fundir nossas existências para que o tempo nunca mais nos separe. Enfio o nariz entre os fios macios dos seus cabelos cacheados para sentir o cheiro. Como senti saudade desse perfume de baunilha, o aroma que sempre foi o meu conceito de "casa". Ela se derrete em meus braços, me apertando de volta, a cabeça encostada em meu peito, sobre meu coração acelerado. Não sei ao certo se passam segundos ou minutos, mas eu poderia viver pela eternidade nesse momento, onde o mundo lá fora, com seus erros e distâncias, deixa de existir. Aos poucos, a sinto se afastar de mim. Porém, quando ela me encara, a força da tristeza que o olhar dela carrega me paralisa. Com os olhos nublados por lágrimas que parecem guardadas há anos, ela diz: — Eu esperei por você. Risquei cada dia no calendário até meu aniversário de dezoito anos. Você me abandonou. Não respondeu mais minhas cartas depois de alguns anos e não voltou para mim, como me prometeu. Ela faz uma pausa, e o silêncio que se segue dói mais que o trovão lá fora. — Você me esqueceu Ela finaliza com a voz fraca, dando um passo para trás e saindo dos meus braços, deixando apenas o frio do arrependimento no lugar onde antes havia o seu calor.Kamila Mais dez dias se arrastaram de forma dolorosa e lenta dentro daquele quarto particular, mas a manhã de hoje trouxe um ar diferente, uma leveza que eu não sentia há semanas. O som dos monitores, que antes parecia uma contagem regressiva para o meu desespero, agora soava apenas como o compasso de uma espera que estava perto do fim. O Dr. Álvaro entrou no quarto segurando um tablet e alguns relatórios impressos, com uma expressão muito mais relaxada no rosto. — Bom dia, Kamila. Como vocês passaram a noite? — perguntou ele, aproximando-se do leito e checando os sinais vitais de Felipe. — Bom dia, doutor. Nós passamos bem. Eu passei a noite conversando com ele, como sempre faço. — respondi, ajeitando-me na cama de solteiro que o hospital havia montado para mim, sem soltar a mão de Felipe. — O senhor tem os resultados dos exames de imagem que ele fez ontem à noite? O Dr. Álvaro sorriu de canto, um gesto sutil que fez meu coração dar um salto de pura expectativa. — Tenho si
FelipeA escuridão que me cercava não era um vazio completo, mas um peso denso, claustrofóbico, como se eu estivesse submerso em águas profundas, escuras e mornas. Eu tentava desesperadamente me mover, tentava forçar minhas pálpebras a se abrirem, mas os comandos do meu cérebro simplesmente se perdiam pelo caminho, morrendo no vazio do meu próprio corpo inerte. Havia uma frustração agoniante nisso, um desespero surdo que arranhava o meu peito a cada tentativa fracassada de mover um único dedo, de soltar um sussurro, de provar que eu ainda estava aqui dentro. O medo de ficar preso para sempre nesse limbo me sufocava. No entanto, em meio àquela névoa cinzenta, fria e desconhecida, algo começou a mudar.Uma vibração suave rompeu o silêncio do meu isolamento. Era uma voz. No início, parecia distante, um som distorcido flutuando acima da superfície da água onde eu estava afogado, mas, gradualmente, o som foi se tornando mais nítido, adquirindo contornos, peso e um calor reconfortante. Kam
KamilaAcariciei a bochecha dele com o polegar, sentindo um nó na garganta que voltava a se formar, dificultando um pouco a minha respiração e me fazendo segurar as lágrimas para não chorar enquanto falava. O rosto dele, tão estático e calmo, parecia zombar das minhas doces memórias, como se dissesse que aquilo era passado e que nada mais seria igual. Eu desejava profundamente ver qualquer sinal de reação, um tremor nas pálpebras, um suspiro que fosse, algo que me dissesse que ele estava ali, mas recebi apenas o silêncio em resposta, e a decepção pesou mais uma vez nos meus ombros.— E no dia da apresentação, meu Deus, meu coração parecia que ia sair pela boca de tanto nervosismo, eu sentia minhas pernas tremerem e as mãos ficarem suadas antes mesmo de subir no palco. Quando as cortinas se abriram e eu tive que deitar na cama improvisada para fingir que estava dormindo, eu estava tremendo tanto que achei que iria derrubar os travesseiros. Mas aí você entrou no palco.Você andou até
Kamila Segurei a mão dele com a minha mão esquerda, sentindo os dedos de Felipe um pouco mais frios do que o normal, mas ainda firmes o suficiente para que eu pudesse me ancorar neles e não me deixar levar pelo desespero. Uma onda de desespero silencioso me inundou; era aterrorizante perceber como aquele toque, que sempre foi sinônimo de segurança e vigor, agora parecia tão frágil e distante, como se estivesse escapando entre meus dedos. Com a mão direita livre, passei os dedos levemente pelo seu rosto, traçando a linha do seu maxilar, sentindo a textura áspera da barba que começava a crescer e que eu sabia que ele odiava deixar ficar muito comprida. O som repetitivo dos monitores do quarto particular ditava o ritmo da minha agonia, um bipe constante, frio e metálico que lembrava que o coração dele ainda batia, embora ele se recusasse a abrir os olhos e voltar para mim. O cheiro de antisséptico misturado ao vazio daquele ambiente me sufocava, transformando cada minuto em uma ete





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