— Três corações, um caminho.
Ponto de vista do narrador
O tempo passou sem pedir licença.
Não foi um mês marcado por grandes acontecimentos, mas por uma sucessão de dias que, juntos, criaram uma nova normalidade — discreta, intensa, sustentada por afeto, cumplicidade e um amor que aprendera a existir fora de qualquer molde tradicional.
Na mansão, as manhãs encontraram um ritmo próprio, quente e acolhedor.
Carlos Alberto acordava cedo, sempre antes das seis. Começava o dia com café forte, jornais internacionais, algumas reuniões por vídeo enquanto o sol ainda nascia.
Com Rebeca ele tinha sua própria dinâmica, algo que apenas a família apreciava. Ele sentava-se no chão do quarto dela para montar blocos, lia o mesmo livro infantil pela décima vez com voz animada e a deixava bagunçar seu cabelo já perfeitamente penteado.
Pouco antes das sete da manhã podia-se ouvir os pequenos passos de Rebeca no corredor. E ela já vinha animada – Papai!!
Ele se abaixava diante dela, de terno já alinhado, expressão suavizada apenas n