Arianna sentou no banco do passageiro do carro de David, o couro frio colando na pele nua das costas expostas pelo vestido. O ar condicionado zumbia baixo, mas o silêncio entre eles era mais gelado que aquilo. Ela cruzou as pernas, olhando pela janela as luzes da Vila Olímpia passando borradas – prédios altos, carros luxuosos, gente rindo na calçada. O cheiro dele ainda impregnava o ar: perfume amadeirado misturado com suor e algo mais primal, algo que fazia o corpo dela latejar em lugares que ela tentava ignorar.
David dirigia com as mãos firmes no volante, olhos fixos na estrada. Nenhum dos dois se olhava. Mas o clima pesava como uma nuvem de chuva prestes a desabar. Cada respiração dela parecia ecoar no carro, cada movimento dele – trocar de marcha, ajustar o retrovisor – fazia o ar vibrar com o que não era dito.
Ela pegou o celular na clutch, os dedos ainda trêmulos do que tinha rolado no quarto VIP. Mandou uma mensagem para Zoe:
“Precisei voltar pro apartamento do patrão as press