David não planejava ficar muito tempo na boate.
Levara Willian pra lá porque o amigo merecia. Merecia esquecer a traição, a papelada do divórcio, a dor que ainda queimava. “Só uma noite, cara. Bebe, dança, esquece”, ele dissera no carro.
Entraram na boate que Willian mais gostava de ir quando ainda era solteiro. Lá David e ele tinham boas lembranças. Foram direto para a pista, tentando seguir o conselho de David: “Distrai a cabeça, cara. Olha quanta mulher bonita”. Willian começou a festejar.
Até que ele já viu uma.
Loira, vestido vermelho curto que marcava cada curva, cabelo solto voando enquanto dançava sozinha, olhos fechados, sorriso fácil. Bonita pra caralho. Do tipo que faz homem esquecer nome.
David percebeu o olhar dele.
— Para de babar e vai lá falar com ela — brincou, dando um empurrão leve no ombro do amigo.
Willian riu.
— Tá me expulsando?
— Tô te dando chance. Vai.
Willian não pensou duas vezes.
Foi.
David se afastou, foi em direção ao bar e enquanto andava viu de longe: