Mundo de ficçãoIniciar sessãoNa noite que deveria ser a mais feliz de sua vida, Hanna Ross vê seu mundo desmoronar. Prestes a brindar seu noivado, flagra o homem que prometeu amá-la nos braços de outra. Humilhada e furiosa, ela foge sem rumo pelas ruas da cidade, buscando esquecer a traição que dilacerou seu coração. Um bar de esquina, algumas doses de uísque e um desconhecido de olhar intenso são tudo o que precisa para apagar a dor — pelo menos por uma noite. Entre beijos ardentes e toques proibidos, Hanna se entrega a uma paixão avassaladora, sem nomes, sem promessas, sem amarras. Mas o destino tem seus próprios planos, e o homem que incendiou sua pele pode ter um papel muito maior em sua vida do que ela jamais imaginou. Agora, Hanna precisará decidir se essa reviravolta inesperada é apenas uma fuga ou o começo de algo real.
Ler maisHanna Ross
O reflexo no espelho me devolve a imagem de uma mulher impecável. O vestido azul-claro abraça meu corpo com perfeição, os cabelos estão presos em um coque sofisticado e minha maquiagem destaca meus olhos castanhos, que hoje brilham de expectativa. Esta é a noite do meu noivado. A noite em que oficializei diante de todos que sou a futura esposa de Matheus Vasconcellos. — Ainda dá tempo de fugir — a voz de Sarah corta meus pensamentos. Ela está sentada na poltrona do meu quarto, com as pernas cruzadas, segurando uma taça de champanhe. Seu olhar é afiado, como sempre. — Não viaja, Sarah — Daniela revira os olhos ao lado dela, mas, em seguida, solta um suspiro longo. — Mas, sinceramente, Hanna… Você tem certeza disso? Eu me viro para elas, cruzando os braços. Essas duas são minhas melhores amigas, mas às vezes me sinto em um interrogatório com elas. — Vocês não acham que estão exagerando? Matheus é um homem maravilhoso. Ele me ama, me trata bem… — argumento, sem entender por que ainda duvidam dele. — Ele trata você como uma boneca de porcelana — Sarah rebate. — Como se tivesse medo de quebrar você. — E qual o problema nisso? — Ergo o queixo, desafiadora. Daniela hesita antes de falar: — O problema é que parece que falta algo entre vocês. Algo real. Algo… quente. Sinto meu rosto esquentar. Eu sei exatamente do que elas estão falando. — Ele me respeita! — disparo, franzindo a testa. — Nunca me pressionou para nada. Diferente de outros caras, Matheus quer que nossa primeira vez seja especial, na nossa noite de núpcias. Isso não significa algo para vocês? É uma prova de amor. Sarah bufa, descrente. — Isso significa que ele é um cretino manipulador que te fez acreditar que esperar até o casamento é uma prova de amor. — Ou que ele não tem desejo por você — Daniela murmura, e eu engasgo.— Mas na verdade ele está atrás de seu sobrenome, por conta do prestígio de seu pai. Pronto falei! — Claro que tem! — retruco, sentindo meu peito se apertar. — Só que ele me ama e quer que seja perfeito. E não tem nada a ver com meu pai, vocês vão ver. — Amar e desejar são coisas diferentes, Han — Sarah se levanta e coloca a taça de champanhe na minha cômoda. — E Matheus nunca me pareceu um homem apaixonado por você. Ele gosta da ideia de vocês dois juntos, não de quem você realmente é. Meu estômago revira, mas forcei um sorriso. — Vocês estão erradas. — Espero que sim — Daniela dá de ombros. — Mas, se estivermos certas, espero que você perceba antes que seja tarde. Antes que você esteja casada com um cretino é perdido toda sua confiança. Respiro fundo, sentindo o peso das palavras delas. Mas hoje não é o momento para dúvidas. Hoje é o começo do meu futuro. Ou pelo menos, era o que eu pensava. A festa está impecável, tudo como Matheus e eu planejamos. Cada detalhe foi pensado com perfeição: as luzes suaves refletindo nas taças de cristal, as flores brancas e azuis enfeitando as mesas, a música criando o clima romântico que sempre sonhei. Meu coração acelera quando desço as escadas e vejo Matheus à minha espera, todas as dúvidas se ruíram, um sorriso confiante nos lábios, os olhos fixos em mim como se eu fosse a única pessoa no mundo. Ele pega minha mão com delicadeza e me conduz até o centro do salão. O burburinho dos convidados diminui quando ele se ajoelha diante de mim, segurando uma caixinha de veludo azul. — Hanna Ross — sua voz ressoa firme e cheia de emoção. — Desde o dia em que te conheci, soube que você era a mulher da minha vida. Eu prometo te amar, te respeitar e te fazer feliz por todos os dias da nossa vida. Você aceita ser minha esposa? A emoção me sufoca. Lágrimas se acumulam em meus olhos, e meu sorriso se alarga. Esse é o momento que sempre sonhei. — Sim! — respondo sem hesitar. O salão explode em aplausos e assobios. Matheus se levanta e desliza o anel no meu dedo antes de me puxar para um beijo suave e casto. Estou radiante. Nossos amigos e familiares se aproximam, nos abraçam, nos parabenizam. Eu deveria estar no auge da felicidade. Mas algo muda. Depois de alguns minutos, olho ao redor, procurando por Matheus. Ele não está ao meu lado. Nem no salão. Nem perto dos nossos amigos. Meu peito se aperta. Onde ele foi? Ando pelo salão, desviando dos convidados, meu coração martelando um aviso estranho no fundo da minha mente. Algo não está certo. Passo pelo corredor que leva aos banheiros e salas privadas do clube, e é quando ouço as vozes abafadas. Uma risada feminina. Um gemido. Meu corpo gela. Com a respiração presa, sigo o som até uma porta entreaberta. Minha mão hesita na maçaneta, mas então ouço uma frase que me faz perder qualquer dúvida. — Rápido, Matheus, antes que alguém perceba… — Ninguém vai perceber, a princesinha já está no papo, em poucos meses terei ela em minhas mãos. Minha visão se turva. Meu peito aperta tanto que parece que vai rasgar por dentro. Empurro a porta. E vejo meu noivo. Matheus está de costas para mim, os braços firmes segurando o corpo da mulher contra a parede. As mãos cravadas na cintura dela, a boca devorando seu pescoço. Minha garganta se fecha. — Matheus… — seu nome escapa como um sussurro, mas é o suficiente. Os dois congelam. Ele se vira, a camisa aberta, o cabelo bagunçado. O olhar dele se encontra com o meu e, por um segundo, vejo o desespero se instalar. — Hanna… me esculta, precisamos conversar. — Não tenho nada para conversar com você Matheus, por que você fez isso? Eu não era o suficiente? Me guardei para você... — Hanna, eu precisava de mais, precisava me sentir homem, são minhas necessidades, você queria esperar pelo casamento e o senador ele nunca gostou de mim. — Você está me culpando e culpando meu pai pela sua falta de caráter? — Espera Hanna… Mas eu já não ouço mais nada. Porque meu coração, que há pouco transbordava de alegria, agora está em ruínas. Ele me traiu e ainda quer se fazer de vítima, o sentimento que sinto neste momento é desprezo, insegurança e o pior de todos me sentindo o pior dos seres.Hanna Ross O caminho até a casa dos tios do Nicolas era, antes de mais nada, tenso. Queria falar várias coisas, mas, em vez disso, preferi me calar. Minha mente era uma montanha-russa cheia de altos e baixos. Não sabia o que falar; gosto muito de estar com ele e não suportaria saber que realmente ele está namorando outra. Sim, ela deve ser mesmo sua namorada, mas por que todo esse romantismo da noite passada? Por que ele fez questão de que viesse com ele para essa conversa?Não consigo entender; quero confiar no Nicolas, mas, depois de tudo que passei com o Matheus, fico sempre com um pé atrás.O carro mal terminou de parar e meu coração já estava acelerado como se quisesse fugir de mim.Eu nem tive tempo de processar direito onde estávamos.A porta da casa se abriu com pressa.E então… ela apareceu.Giovanna, linda, impecável. Como alguém que sabia exatamente o lugar que ocupava.Antes que eu pudesse sequer respirar direito, ela correu na direção do carro. Meu corpo travou automa
Nicolas Lancaster O silêncio entre nós muda. Já não é leve. Já não é confortável. É pesado… carregado de tudo que ainda não foi dito. Eu passo a mão pelo cabelo, tentando organizar os pensamentos, mas a única coisa que consigo sentir é aquele aperto estranho no peito. Como se eu já soubesse. Como se, se eu sair por aquela porta agora… eu pudesse perder ela. Perder isso. Olho para a Hanna. De verdade. E encontro aquele olhar confuso, defensivo… mas também ferido. Isso é o suficiente. — Hanna… — chamo, dando um passo na direção dela. Ela ergue o olhar devagar. — O que foi? — pergunta, tentando manter o tom neutro… mas não consegue esconder completamente. Eu solto o ar devagar. — Vem comigo. Vamos para a casa dos meus tios e resolver de uma vez por todas esse mal-entendido. Ela franze levemente o cenho, surpresa. — O quê? Aproximo mais um pouco. — Vem comigo resolver isso. É isso que te peço; não quero esconder nada de você. Ela me encara por alguns segundos, como se
Hanna RossA primeira coisa que percebo ao acordar é o silêncio.Não aquele silêncio vazio… mas um silêncio tranquilo, quase acolhedor. Como se o mundo lá fora tivesse decidido nos dar algumas horas a mais antes de cobrar qualquer coisa.A segunda coisa… é ele.Nicolas ainda está ali, ao meu lado, respirando de forma lenta e profunda, completamente entregue ao sono. O rosto relaxado, distante daquela intensidade que ele carrega quando está acordado. Por um instante, fico apenas observando.E então… um sorriso bobo simplesmente nasce nos meus lábios.É inevitável.Porque dessa vez eu lembro.De tudo.Do jeito que ele me olhou, do cuidado em cada gesto, da forma como nada pareceu apressado ou errado. Não foi um erro, não foi uma fuga… foi escolha.Minha escolha.A nossa escolha.Deslizo um pouco mais perto, apoiando o peso no braço enquanto observo melhor os traços dele, como se ainda estivesse tentando memorizar. Como se existisse um medo pequeno, quase imperceptível, de que aquilo pud
Hanna RossMinhas mãos ergueram suavemente sua camisa, tirando-a de seu corpo. Dessa vez fiz questão de guardar cada detalhe de seu corpo. Pois hoje não estávamos embriagados, não éramos dois estranhos sem nomes, não éramos duas pessoas magoadas, com seus passados tristes.Hoje seria uma entrega verdadeira, em que estávamos cientes do que queríamos, e queríamos um ao outro. Ele me ergue pela cintura e me conduz até a cama, como se cada movimento fosse calculado, como se houvesse um cuidado silencioso em não quebrar o momento que estávamos construindo.Meu coração bate forte, não de ansiedade, não de dor… mas de uma expectativa quente que se espalha pelo meu corpo.Quando minhas costas tocam o colchão, ele não se afasta imediatamente. Seus olhos encontram os meus, e por um instante tudo desacelera. O mundo lá fora deixa de existir. Não há passado, não há feridas abertas, não há lembranças que machucam.Só nós.Levo minha mão até o rosto dele, deslizando os dedos pela sua pele como se e










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