Arianna andava de um lado pro outro no quarto, o celular apertado na mão como se fosse uma granada prestes a explodir.
O coração ainda acelerado, o rosto quente, os lábios formigando com a lembrança do quase.
Quase.
Quase jogou tudo fora: o emprego dos sonhos, o salário que pagava as contas atrasadas, o remédio da mãe, o aluguel que ela nem precisava mais, porque agora morava ali, mas não era louca de perder o único móvel que era seu... alugado, mas dela. Tudo por um beijo que provavelmente ia acabar em arrependimento, demissão e uma multa que ela levaria anos pra quitar.
— Burra, burra, burra… — sussurrou, batendo com a palma da mão na testa a cada volta no quarto.
O celular vibrou. Finalmente.
Zoe:
“O que tem de tão importante pra me acordar a essa hora? Sabe que eu pego no batente às 4h 😤”
Arianna sentiu a culpa bater forte.
Zoe acordava de madrugada todo dia para abrir a padaria às seis. E ela ali, perturbando a amiga por causa de um quase-beijo com o chefe bilionário.
“Desculpa