David encarava o teto há tanto tempo que já conhecia cada rachadura do forro. Tinha de reformar o apartamento inteiro. Era esse o pensamento.
O sono tinha ido embora junto com o choro de Ava às duas da manhã, e agora só restava um vazio estranho no peito: uma mistura de medo, culpa e um orgulho que ele ainda não sabia nomear.
Pai.
Ele era pai.
E ainda não tinha coragem de contar pra ninguém da família.
A mãe ia surtar. A irmã ia gritar tanto que ele ia ouvir até na Itália.
“David, como você foi irresponsável? Uma criança? Você nem sabe cuidar de uma planta!”
Suspirou fundo, pegou o celular e mandou uma mensagem rápida pro advogado:
“Paga tudo que a Rafaela precisar até o último dia. Clínica, remédio, o que for. Me mantém informado.”
Não esperou resposta. Só jogou o celular na cama e se levantou.
Rafaela não tinha contado a ele quanto tempo de vida ainda tinha, mas entregar Ava da forma que fez, significava que não era muito. Ele ainda estava com raiva por ela ter es