David estava afundado na poltrona de couro do escritório, a vista da cidade lá embaixo já escurecendo, mas ele nem via mais. A pilha de contratos na mesa parecia infinita, assinaturas, carimbos, números que normalmente o acalmavam. Hoje não. Hoje nada acalmava.
A imagem que não saía da cabeça dele era outra: Arianna de joelhos entre suas pernas, o pano na mão, os olhos castanhos arregalados, a saia branca subindo um pouquinho nas coxas enquanto esfregava. O tecido fino marcando cada curva da bunda dela. A mão quase… quase ali.
Ele passou a mão no rosto, bufando.
Não era homem de se apegar. Nunca foi. Mulheres vinham e iam, algumas voltavam – como Rafaela, que aparecia do nada nas boates, com aquele sorriso fácil e o corpo que encaixava perfeito no dele. Foram meses de encontros casuais, sem cobrança, sem futuro. Até que ela sumiu. E agora ele entendia o motivo.
O celular vibrou encima da mesa, a luz brilhou e ele leu a mensagem do advogado.
“O oncologista sugeriu um tratamento experim