Mundo de ficçãoIniciar sessãoNa mansão Savoia, ninguém ama sem pagar um preço. Sem ter onde morar, Serena Bittencourt aceita o único emprego disponível... ser babá na mansão da família Savoia, marcada por luto, segredos e um testamento capaz de destruir um império inteiro. O dono da casa é Daniel Savoia, um CEO frio, controlador e emocionalmente inacessível. Endividado, em ruína silenciosa e convencido de que sentimentos são fraquezas, ele deixa claro desde o início que Serena é apenas temporária. Descartável. Ela não é. Ao se tornar o único refúgio emocional de Clara, uma menina de cinco anos devastada pela ausência da mãe, Serena passa de invisível a indispensável. Mesmo enfrentando a hostilidade da governanta e o desprezo calculado de Daniel, ela permanece quando todos vão embora. Quando a crise financeira se agrava e Daniel decide cortar ainda mais os custos, Serena faz a escolha que muda tudo: aceita ficar sem salário para não abandonar Clara. A convivência forçada transforma controle em desejo. Resistência em dependência. Um sentimento intenso e proibido nasce onde não deveria existir, ameaçando a frieza de Daniel e a segurança emocional de Serena. Mas o verdadeiro perigo ainda não foi revelado. A esposa de Daniel não está morta. Ela observa à distância. E quando decidir voltar, nada estará a salvo nem o amor, nem a criança, nem a verdade.
Ler maisA porta ainda estava entreaberta quando o senhorio falou as palavras que cortaram minha vida ao meio. Não houve discussão, súplica ou chance de defesa. Apenas um decreto duro, definitivo e selado com a frieza de quem nunca se importou com nada além do dinheiro. Eu estava chorando, mas ele nem sequer hesitou. O aluguel estava atrasado havia seis meses e, embora nada daquilo fosse realmente minha culpa, o mundo não costuma ter misericórdia de quem não pode pagar. Uma verdade dura que poucas pessoas gostam de ouvir.
Quando o senhorio virou as costas, levou embaixo do braço minha televisão. A única coisa que eu ainda possuía.
Nos últimos meses, meus pertences foram desaparecendo um a um, cada atraso convertido em resgate. Agora, tudo o que restava naquele apartamento onde vivi desde os dezoito anos era uma cama velha e o celular que eu apertava contra o peito como se pudesse me salvar de alguma coisa.
Tentei chamá-lo de volta, protestar, dizer qualquer frase que me parecesse digna, mas nada saiu. E mesmo que saísse, ninguém escutaria.
Sentei-me no chão frio, com o corpo tremendo, e comecei a buscar vagas de emprego. Não importava o que fosse. Quando se está à beira do abismo, qualquer caminho parece aceitável, até os que você nunca imaginou percorrer.
Foi quando li em voz baixa.
— Babá?
Eu havia pensado em faxina, recepção, vendas. Algo prático e previsível. Nunca em ser babá. Era completamente distante do que eu sabia fazer. Eu nunca tinha cuidado de uma criança antes. Mesmo assim, cliquei e enviei o meu currículo. Três páginas de formações diversas. Sempre fui viciada em estudar. Arte, literatura, culinária. Coisas que, de certa forma, seriam convenientes para se cuidar de uma criança, eu acho.
Meu estômago roncou. Já estava há mais de um dia sem comer nada, apenas bebendo água da torneira, porque nem água mineral eu poderia comprar. Saí de casa para esfriar a cabeça e buscar respostas ou qualquer resquício de esperança.
Abriguei a dor em uma lembrança, algo que sempre foi a minha verdadeira paixão, a dança. O balé clássico foi meu primeiro amor e também o primeiro a me rejeitar. Lembro do dia em que ouvi, após um teste:
— Moça, você é gorda. Como alguém vai se emocionar com uma bailarina como você? Só faria alguém chorar de rir.
A lembrança veio como um tapa. Havia doído muito na hora, mas depois, parada diante do espelho, cheguei a uma conclusão que me quebrou ainda mais. Ele estava certo. Eu era baixinha, tinha o corpo cheio de curvas que não serviam para nada além de lutar contra a gravidade.
Peguei o celular apenas para olhar a hora, mas acabei me surpreendendo com uma notificação que brilhava na tela.
Prezada Serena Bittencourt,
Após análise do seu perfil, gostaríamos de convidá-la para uma entrevista referente à posição de babá.
A entrevista será conduzida pelo Sr. Daniel Savoia, CEO do Savoia Group.
Li e reli, sem respirar, apertando o celular até meus dedos travarem.
Voltei para casa e passei a noite inteira me preparando. Separando a melhor roupa, repassando cada detalhe na minha mente, estudando a história do grupo Savoia. Quando já estava me preparando para dormir, me deparei com algo que me chamou a atenção. A matéria que noticiava a morte de Luciana Savoia. A esposa do CEO. O carro carbonizado. O erro fatal do motorista. A tragédia estampada em todos os sites.
Levei a mão à boca, chocada. Eles estavam em busca de uma babá por causa de algo tão trágico. Aquela garotinha havia perdido a sua mãe.
— Meu Deus, e se eu não der conta?
Eu estava assustada, mas meus olhos se prenderam na foto da família Savoia. Mais especificamente, nele. A imagem que ilustrava a notícia era deles em um parque. Não consegui ignorar os braços definidos, o rosto perfeito e o olhar protetor que Daniel Savoia lançava para a filha. Um arrepio inesperado percorreu meu corpo e puxei a manta, tentando convencer a mim mesma de que era apenas frio.
Aquela noite eu não dormi.
Ao amanhecer, já estava dentro do primeiro ônibus para Brookline, horas antes da entrevista. Era minha única chance e eu não podia perder. Morar no emprego, para alguém sem teto, aquilo era mais do que uma vaga. Era sobrevivência.
Saí do ônibus e me apoiei na parede do prédio imponente por um instante, tentando aliviar a dor causada pelo maldito sapato que havia escolhido. Mas quando me afastei, ouvi o barulho da tinta fresca marcando minha roupa. A única roupa decente e apresentável que eu tinha. Faltavam apenas dez minutos para a entrevista que definiria o rumo da minha vida. Não dava tempo de voltar para casa. Nem tempo para chorar eu tinha. Respirei fundo, passei as mãos pela roupa, ergui a cabeça e segui em frente.
Entreguei meu documento ao segurança e meu corpo estremeceu ao ouvir o portão de bronze se abrir com um rangido pesado. Era como um aviso. Que a partir daquele momento, não haveria mais volta.
No primeiro passo, o salto virou e o outro pé, justamente aquele que deveria me salvar, também me traiu. Caí com a velocidade de uma fruta madura ao se desprender da árvore. A dor subiu pelo meu tornozelo e tudo ficou distante por um segundo.
Quando ergui o rosto, ainda sentada no chão, vi dois pares de sapatos parados diante de mim.
Uma mulher se inclinou, nervosa.
O homem, não.Ele apenas me olhou.
E eu soube exatamente quem era Daniel Savoia.
Eu poderia encerrar a minha história falando sobre todas as noites que passamos juntos.Ou contando como foi o nascimento de Celeste, nossa terceira filha.Mas escolhi encerrar falando sobre o amor e como muitas vezes desistimos de nós para sermos apenas úteis e funcionais.Aumentamos nosso fardo para aliviar a dor de outros ou desacreditamos dos nossos sonhos para sobrevivermos em um mundo que deixou de acreditar no amor.Minha vida é a prova de que viver exige coragem.Algo quase raro em um universo em que as pessoas aprenderam a imitar máquinas e em que corações sangram em silêncio pelo peso do não reconhecimento.Eu vivi tudo.As recusas, o desemprego, o medo e até as traições. Mas sobrevivi a tudo porque, enquanto o mundo acreditava que poderia me derrubar com golpes, minha mente vagava em sonhos bonitos que eu tornei realidade.Não tive sorte como Beatriz falou no dia do próprio casamento com Antony.— Você pode ter se casado com uma máquina de fazer dinheiro, mas eu peguei uma
Dois dias e já tínhamos aprendido a dar banhos, trocar fraldas, que amamentar não tinha nada de bonito e que não é apenas o bebê que sabe a hora de mamar.Mães também sabem.Os seios doem, o leite vaza em gotas pesadas e isso sem contar que ficamos o tempo todo fedendo, enquanto os bebês têm cheirinho naturalmente doce.Mas o dia de irmos para casa chegou e Clara, que tinha ficado apenas com os empregados durante aqueles dias, estava esperando no carro.Estiquei dois macacões sobre a cama e perguntei a Daniel.— Vermelho ou marinho?— Azul, o Theo é macho.Sorri e vesti o macacão vermelho.— Ele não precisa provar nada para ninguém. Vamos escolher o vermelho para evitarmos mau-olhado.Daniel não discutiu.— Tem razão. Vamos garantir o começo e deixamos que ele decida o futuro. Por isso preciso de você ao meu lado, viu?Depois de todos os papéis da alta e recebermos as orientações iniciais, fomos para o carro. Clara ficou encantada com o irmão.— Mãe? Ele é muito pequeno. Como vamos br
Apertei a borda da mesa.Uma sensação estranha que se parecia com uma vontade insuportável de usar o banheiro.— Senta um pouco, Serena.— Não, eu preciso ir ao banheiro. Parece que estou com prisão de ventre, sei lá. Devo estar bem. Não é hora ainda. Pode comprar um laxante para mim. Aaaai... sei lá. Qualquer coisa.— Vamos para o hospital, não vai tomar nada que a médica não diga que pode.— Não quero sair assim. Acho que fiz xixi. Eu não sei.A dor tinha passado, mas a sensação de que eu precisava fazer cocô continuava. Tentei ir ao banheiro, mas Daniel me segurou.— Vamos fazer as coisas com calma.Ele abriu um armário que antes eu me lembrava claramente de ter apenas garrafas de bebida. Tirou de lá duas bolsas, abriu o zíper da maior e pegou um vestido azul.— Deixei tudo pronto.Enquanto Daniel me ajudava a trocar as roupas, a dor voltou. Curvei o corpo e puxei os ombros do meu marido, que estava abaixado tentando me calçar.Alguns segundos que pareciam horas, tudo voltou ao nor
Dormimos agarrados e fizemos amor mais vezes do que sou capaz de contar.Não por desespero, nem para provar nada, mas porque realmente nossos corpos pediam um pelo outro.Mas na manhã seguinte, Daniel ainda queria continuar.Acordei com o corpo dele colado ao meu. Eu estava de costas enquanto ele acariciava a lateral do meu corpo deixando os movimentos descerem pela curva da minha cintura até o meu braço.Depois ele descia e recomeçava. Abri os olhos preguiçosa.— Você não cansa?— De você? Nunca! Acho que vou passar a vida me perguntando como conquistei uma mulher tão bonita.— Bobo.— Vou pedir o nosso café.Ele se levantou, mas eu o segurei e puxei de volta.— Vamos comer em casa. Por favor. Clara já deve ter acordado.— Ela está bem, ninguém mandou mensagem.— Eu sei, mas estou com saudade da minha princesinha.— Tem tempo para um banho com o seu marido?Fui com Daniel para o banho e quando saímos eu estava sem ar. Muito pouco de sabonete e uma infinidade de beijos e toques que eu
Assistimos Antony e Beatriz saírem abraçados e juntei as peças.— Então foi assim que ele teve acesso aos documentos do Grupo Savoia.— Parece que sim.Dali saímos para nossa lua de mel.Nada tão esplendoroso quanto o Caribe, mas delicioso por eu poder ver meu mundo refletido no suor de Daniel.Desviamos o caminho que deveria nos levar ao que Daniel chamou de pré-lua de mel. Ele estava planejando algo maior, no entanto, a situação da Carter exigia atenção.— Você me perdoa, por isso, Serena? Prometo que vou te compensar.— Compensar? Daniel, você me deu tudo o que eu sempre quis na vida. Um homem que me ama, dois filhos e uma carreira. Você é o sonho que se tornou realidade.Ele segurou a minha mão e beijou com cuidado.— Eu te amo.Deixamos Clara em casa com uma equipe de recreação. Achei cômico e fofo ao mesmo tempo.— O que é tudo isso?Perguntei enquanto Clara já estava girando no meio da sala repleta de bolinhas brancas. A casa estava toda decorada com o tema da Frozen. Um filme
— Beatriz?A chegada da ex-cunhada de Daniel foi estridente.Não que ela tivesse feito qualquer coisa para nos afrontar. Ao contrário. Ela simplesmente entrou, e bastou isso para me fazer estremecer.Daniel segurou forte a minha mão, quase como se ele sentisse o que a presença de Beatriz me causava.— Calma, Serena.Ele fez um gesto para os seguranças, mas os mandou esperar em seguida. Antony estava indo em direção à irmã de Luciana, e Daniel respeitava o amigo quase como a um irmão.Observamos de longe a forma como ela sorriu e passou direto pelo nosso advogado, que em seguida se aproximou de nós.— O que é isso, Antony?— Não faz nada, meu amigo. Prometo que ela não vai causar problemas.Daniel assentiu sem procurar por explicações. Acho que uma das maiores qualidades dos homens é esse respeito pelo silêncio.A festa continuou, e em pouco tempo realmente tínhamos esquecido da presença de Beatriz.Daniel fazia planos para nossa viagem de lua de mel, enquanto Clara reclamava que os do





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