Entro no gabinete do meu pai como quem entra num campo de batalha.
Ele está sentado à frente da grande mesa de madeira maciça, cercado por papéis, pastas, jornais.
A televisão ao fundo exibe uma coletiva política — mais uma, como se o mundo girasse em torno da imagem dele.
Ele não levanta os olhos quando entro.
Mas sei que me espera.
Sempre espera, como um general que calcula até o último passo do inimigo.
— Sentar ou vai ficar em pé mesmo? — ele pergunta, sem largar a caneta.
— Prefiro