Mundo de ficçãoIniciar sessãoRangel é um viúvo que nunca aceitou a morte da sua esposa, jurando a si mesmo nunca mais amar outra mulher, mas um testamento deixado por seu avô irá obrigá-lo a se casar com Lira, uma jovem secretária feliz e cheia de vitalidade, que terá a sua vida virada de cabeça para baixo quando descobre que terá que casar com o neto do seu chefe. Para Rangel será o seu maior sacrifício esse casamento e para Lira uma oportunidade de mudar a vida a sua vida para sempre.
Ler maisDeixei a neve do Canadá para trás e desembarquei nos Estados Unidos acreditando que finalmente teria alguns dias de paz. Mas a vida parecia ter prazer em me provar o contrário.
Assim que liguei o celular, a tela iluminou com o nome de Will. Advogado do meu avô. Melhor amigo dele. E, infelizmente, o homem encarregado de resolver todos os problemas que aquele velho deixava pelo caminho. Revirei os olhos. Meu avô era uma bomba-relógio. Mesmo morto, provavelmente ainda encontraria uma forma de explodir a vida de alguém. Ignorei a ligação. Segundos depois, o telefone tocou novamente. Franzi a testa. Will não era do tipo insistente. Meu estômago se contraiu. Algo estava errado. Respirei fundo e atendi. — Alô, Will. Do outro lado da linha, o silêncio durou alguns segundos. — Seu avô faleceu esta manhã. Senti meu corpo enrijecer. Por mais complicada que fosse nossa relação, aquela notícia me atingiu como um soco inesperado. — O quê? — Precisamos da sua presença imediatamente. A leitura do testamento será após o enterro. E desligou. Na minha cara. Fiquei olhando para a tela apagada do celular. Morto. O velho finalmente tinha partido. Mas conhecendo-o como eu conhecia, a verdadeira dor de cabeça ainda estava por vir. Passei a mão pelos cabelos e soltei uma risada amarga. — Nem morto vai me deixar em paz... Troquei de roupa, vestindo um terno preto, e segui para o velório. --- A cerimônia foi fechada. Minha decisão. Detestava gente falsa. E funerais eram o habitat natural da falsidade. Pessoas que não ligavam para o falecido apareciam chorando. Outras inventavam histórias de amizade. E algumas já estavam calculando quanto receberiam da herança. Meu avô tinha sido um homem difícil. Orgulhoso. Controlador. Capaz de deserdar o próprio filho sem perder uma noite de sono. Mesmo assim, ali estava eu. Seu único neto. Esperando descobrir qual seria sua última jogada. Sílvio permaneceu ao meu lado durante todo o enterro. Quando tudo terminou, seguimos para a sede da empresa. A tensão dentro da sala era quase palpável. Will colocou uma pasta sobre a mesa. Meu coração acelerou. Era agora. — Vamos começar — anunciou. Abriu o documento e iniciou a leitura. — "Deixo para meu neto, Rangel, todos os hotéis no Canadá, todas as fazendas, metade da minha fortuna e cinquenta por cento da Lídermed Indústria de Equipamentos e Artigos Médicos e Hospitalares S.A." Por alguns segundos, fiquei sem reação. Metade? Metade? Meu sangue ferveu. Levantei tão rápido que a cadeira quase caiu para trás. — Como é que é?! Minha voz ecoou pela sala. — Apenas cinquenta por cento? Will ergueu os olhos. — Ainda não terminei. Cerrei os punhos. Meu maxilar doía de tão travado. — Continue. Ele prosseguiu. — "Para se tornar proprietário integral do patrimônio da empresa, Rangel deverá se casar com Lira, minha secretária." O mundo pareceu parar. Piscar. Respirar. Pensar. Nada funcionava. — O QUÊ?! Explodi. — Está de brincadeira comigo?! Will continuou impassível. — "Caso não aceite, os cinquenta por cento restantes serão destinados a um orfanato." — Não! Bati as mãos na mesa. O impacto fez os papéis estremecerem. — Isso é uma loucura! Passei as mãos pelo rosto. Andei de um lado para o outro. Voltei. Andei novamente. Meu coração parecia prestes a sair pela boca. — Eu vou impugnar isso. — Não vai. — Vou sim! — Não vai. — Por quê? — Porque está tudo dentro da lei. A resposta me atingiu como uma marretada. Olhei para o teto. Respirei fundo. Respirei de novo. Não adiantou. Continuava com vontade de estrangular alguém. — Quem diabos é essa Lira? Will fechou a pasta. — Vou chamá-la. --- Minutos depois, a porta se abriu. E ela entrou. A primeira coisa que notei foram seus olhos. Expressivos. Assustados. A segunda foi sua beleza. Discreta. Natural. Sem exageros. Ela parecia completamente deslocada naquele ambiente. Como um passarinho preso entre lobos. Mas não me deixei enganar. Ninguém recebia metade de uma fortuna sem motivo. Nenhum. — O que está acontecendo? — ela perguntou, olhando para Will. Sua voz era suave. Confusa. Ou fingidamente confusa. Cruzei os braços. — Vai dizer que não sabia que meu avô estava deixando metade da herança para você? Ela me encarou. Depois olhou para Will. E então voltou a me encarar. A expressão de choque parecia genuína. — Isso é impossível. — Ah, claro. Sorri sem humor. — E eu sou o Papai Noel. — Falei alto. Ela franziu a testa. — Qualquer pessoa acharia isso absurdo. — Não mais absurdo do que uma secretária receber metade de um império. Vi seus olhos se estreitarem. A indignação surgiu instantaneamente. — Está insinuando o quê? Dei um passo à frente. — Que talvez você fosse amante dele. O choque em seu rosto foi imediato. Depois veio a raiva. Pura. Violenta. — Como ousa?! Seu rosto ficou vermelho. Os olhos brilhavam. — Tenha respeito! — Respeito? Eu deveria ter respeito? — Nunca tive absolutamente nada com seu avô! — Chega! Will bateu a mão na mesa. O silêncio caiu sobre a sala. Pesado. Sufocante. — Vou reler o testamento. Depois vocês brigam. --- Will releu novamente e quando terminou a leitura, a situação só piorou. Muito pior. Porque existiam mais cláusulas. Muitas mais. — Vocês deverão permanecer casados por um ano. Olhei para Will. — O quê? — Perguntei sem acreditar. — Morando juntos. — O quê?! — Lira também não acreditou. — Sem relacionamentos extraconjugais. Lira empalideceu. — Não. Ela balançou a cabeça. — Não vou fazer isso. — Vai sim — retruquei. Ela virou para mim imediatamente. — Como é? — Seu nome está no documento. Apontei para a pasta. — Não venha fingir que está sofrendo. Metade daquela fortuna cairá no seu colo. Os olhos dela faiscaram. — Eu não estou fingindo! — Claro que está. — Não preciso do dinheiro dele! — Mentira. — Você não me conhece! — E você acha que eu acredito nessa encenação? — Encenação?! Ela deu um passo na minha direção. — Você é arrogante. — E você é interesseira. O silêncio que veio depois parecia capaz de incendiar a sala inteira. Se os olhares matassem, nós dois já estaríamos enterrados ao lado do meu avô. --- Saí dali antes que dissesse algo pior. Ou fizesse algo pior. Do lado de fora, Sílvio me alcançou. — Rangel. Ignorei. — Rangel! Parei. — O quê? Ele sorriu de canto. — A Lira é linda. Lancei-lhe um olhar mortal. — Nem começa. — Estou falando sério. — Não me importa. — Talvez não seja tão ruim. — Pare. — Sua filha precisa de alguém. Fechei os olhos. A dor veio instantaneamente. Clise. Sempre Clise. — Não fale dela. Minha voz saiu baixa. Rouca. Machucada. Sílvio suspirou. — Já faz cinco anos. — E eu a amo muito mais. Ele não respondeu. Porque não havia resposta. --- Quando cheguei em casa, Nina correu para mim. — Papai! Normalmente eu a pegaria no colo. A encheria de beijos. Mas minha mente estava em outro lugar. Mesmo assim, ajoelhei e a abracei. — Oi, princesa. Ela sorriu. E aquele sorriso quase me salvou. Quase. Depois que a coloquei para dormir, fui para o quarto. Fiquei parado diante da fotografia de Clise. Passei os dedos pela moldura. A saudade apertou meu peito. Como sempre. Como todos os dias. — Eu não posso fazer isso. Minha voz saiu em um sussurro. — Não posso. Entrei no banho tentando afastar os pensamentos. Mas foi inútil. Porque entre a imagem da minha falecida esposa... Surgiu o rosto da mulher que eu conhecera poucas horas antes. Os olhos indignados. A voz furiosa. A maneira como me enfrentou sem medo. E pela primeira vez naquele dia, senti algo diferente da raiva. Algo que me incomodou muito mais. Curiosidade.A nossa vida havia se tornado um verdadeiro inferno desde que Clice reapareceu. Eu já não conseguia sair de casa para passear com os meus filhos sem sentir medo. Muitas vezes chorei escondida, cansada de viver sem paz. Chegamos a discutir algumas vezes por causa dela, mas Rangel sempre acabava se desculpando. — Me perdoa, meu amor. — Ele segurou minhas mãos com carinho. — Eu só quero proteger você e as crianças. Com o passar dos dias, a segurança ao nosso redor aumentou ainda mais. Havia seguranças em todos os lugares, e confesso que aquilo me incomodava profundamente. Precisamos redobrar os cuidados quando fomos informados pela direção da escola que uma mulher desconhecida havia tentado falar com Nina. Meu coração quase parou. Ainda bem que Rangel e eu já havíamos alertado a diretora sobre tudo o que estava acontecendo. A polícia foi acionada imediatamente, mas Clice conseguiu fugir antes de ser encontrada. Desde então, Rangel passou a cercar todos os caminhos possívei
Não tenho palavras para descrever a emoção de assistir a outro parto. Corri contra o tempo para chegar ao hospital, mas consegui chegar na hora certa. Mais uma vez me tornei um pai completamente babão. Segurar outro filho nos braços era algo surreal. A magia da vida nunca deixava de me emocionar. Lira amamentava o bebê com os olhos marejados de felicidade. Eu observava aquela cena encantado, impressionado com a força daquela mulher. Ela havia acabado de trazer mais uma vida ao mundo. Os médicos examinaram Henry cuidadosamente e nos deram a notícia que tanto esperávamos. Nosso pequeno nasceu saudável e forte. Pouco depois, Lira foi levada para o quarto. Henry dormia tranquilamente ao seu lado. Já havia ligado para as crianças e elas estavam enlouquecidas para conhecer o novo irmãozinho. O motorista trouxe todos ao hospital, e meus sogros também chegaram assim que receberam a notícia. Minha sogra foi a primeira a me abraçar. — Rangel, viemos assim que soubemos
■■ RANGEL Convidei Lira para viajarmos a sós após o nascimento do bebê Henry, mas fazer o quê? Ela é uma mãezona. Cabe a mim respeitar sua decisão. Nossa família cresceu e, com ela, o amor que nos une. Com o passar dos meses, acompanhei minha esposa em todas as consultas. Lira estava com um barrigão enorme, e eu não tinha metade da força que ela demonstrava todos os dias cuidando dos nossos filhos. — Rangel, por que está me olhando assim? — perguntou ela, arqueando uma sobrancelha e sorrindo. — Estou admirando você. A força que tem para carregar essa barriga. — respondi, acariciando sua mão. Lira soltou uma risadinha. — Está pesada, confesso. Não vejo a hora de tê-lo em meus braços, cuidar dele e niná-lo. Sorri ao vê-la tão feliz. — Agora vá se arrumar. Vamos jantar fora. Os olhos dela brilharam imediatamente. — Tá bom, Rangel. Aceito o seu convite. Meia hora depois, Lira desceu as escadas deslumbrante em um vestido vermelho. Fiquei sem palavras por alguns segundo
Após a prisão de Clice, um período de paz finalmente se fez presente em nossas vidas. Mesmo estando de repouso absoluto, continuo trabalhando de casa. Todas as manhãs tomo um pouco de sol no jardim, aproveitando a tranquilidade que há muito tempo não sentia. Numa dessas manhãs, Rangel se aproximou de mim com aquele sorriso que sempre faz meu coração disparar. — Bom dia, meu amor. — Abri os braços, querendo abraçá-lo. Ele se inclinou para me beijar na testa. — Bom dia. Posso beijar essa barriguinha e conversar com meu filho? — perguntou, com os olhos brilhando de emoção. Sorri. — Claro que pode. Rangel ajoelhou-se diante de mim e depositou vários beijos carinhosos sobre minha barriga. — Meu pequeno, sei que você ainda é bem pequenino, mas quero que saiba que seu pai já te ama mais do que tudo. Estou ansioso demais... pareço um pai de primeira viagem. Meus olhos se encheram de lágrimas. — Estou tão feliz por não ter perdido nosso bebê. Eu estava preparando uma surpres





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