As mãos dele se moviam com segurança, mas sem pressa, me mapeando como se quisesse memorizar cada detalhe. Eu respondi sem pensar, me deixando levar, esquecendo por completo quem ele era lá fora… e quem eu deveria ser.
Nos aproximamos mais, como se a distância já não fosse uma opção, como se ambos tivéssemos chegado ao mesmo ponto sem precisar de palavras.
O tempo parou de importar.
Só restou a forma como ele me olhava, a maneira como me segurava e aquela sensação intensa de estar, finalmente, no lugar exato onde eu queria estar.
Nos despimos com urgência, como se as roupas tivessem virado um obstáculo entre o que sentíamos e o que já não podíamos mais ignorar.
Quando o corpo dele ficou de frente para o meu, por um segundo esqueci como respirar.
Ele era… perfeito.
Cada linha marcada com precisão, cada músculo definido sob a pele clara que contrastava com o calor do ambiente, como se tivesse sido esculpido com o mesmo cuidado com que ele construía tudo na sua vida. Mas não era só isso. Não era só o que eu via. Era a forma como ele se movia, a segurança natural em cada gesto, a maneira como a presença dele preenchia o espaço sem esforço.
E eu… não conseguia desviar o olhar.
Queria tocá-lo, percorrer cada centímetro dele, confirmar que era real, que não era apenas uma ilusão criada pelo vinho e pelo momento.
Mas não precisei pensar no que fazer.
Ele me guiou.
As mãos dele encontraram as minhas, depois a minha cintura, me puxando com uma firmeza que não pedia permissão, mas que também não precisava. Ele me fez sentir pequena da melhor maneira possível — protegida, desejada, como se naquele instante eu fosse a única coisa que importava no mundo.
Os lábios dele percorreram a minha pele com lentidão no início, despertando sensações novas, inesperadas, fazendo meu corpo reagir sem controle. Cada toque era preciso, cada carícia parecia pensada para provocar algo mais profundo, algo que eu não sabia nomear, mas que não queria que parasse.
Agarrei-me a ele, sentindo o seu calor, a sua respiração perto, a forma como o seu controle começava a se misturar com algo mais intenso, mais difícil de conter.
Porque ele não era suave por natureza.
Mas comigo… ele foi.
No começo.
Depois, tudo mudou.
A intensidade cresceu, os movimentos dele se tornaram mais firmes, carregados daquela tensão que estava contida desde muito antes de chegarmos ali. A forma como me olhava, como me segurava, como me trazia para mais perto… tornava impossível pensar em qualquer outra coisa.
Não sei o que ele dizia quando sua voz roçava o meu ouvido, mas o tom baixo, rouco, fez um arrepio percorrer meu corpo inteiro.
E o olhar dele…
Aquele olhar que no escritório era sempre frio, distante, calculista… agora transbordava algo completamente diferente.
Desejo real e inegável.
Direcionado apenas a mim.
E foi isso o que terminou de quebrar o resto de controle que me sobrava.
Porque naquele instante, com o corpo dele sobre o meu, com aquela forma de me olhar como se não existisse mais nada no universo, a única coisa que eu queria…
era nunca mais parar.
Depois de tudo o que eu tinha passado, não queria voltar a me conter, não queria analisar, não queria pensar em consequências.
Só queria sentir.
Qualquer coisa que não fosse perda.
E com ele…
eu senti.
Foi uma mistura estranha entre controle e entrega, entre a forma comedida dele se mover e a minha necessidade de parar de pensar por uma vez na vida. Ele não deixou de ser ele, mas também não era o homem distante do escritório, e eu deixei de ser a versão certinha de mim mesma que sempre mantinha tudo sob rédea curta.
Por um momento, fomos apenas duas pessoas que precisavam esquecer o resto do mundo.
E foi exatamente isso o que tornou tudo mais perigoso.
⸻
Acordei com a luz filtrando suavemente pelas cortinas, me deixando por alguns segundos suspensa entre o sonho e a realidade. Não me mexi de imediato, porque havia algo quente ao meu lado, uma presença que não se encaixava em nada com a ideia que eu tinha daquela viagem.
Não precisava abrir os olhos para saber o que era, mas abri assim mesmo, devagar, como se adiar aquele momento pudesse mudar as coisas.
E então, confirmei.
Adrián Castellanos estava na minha cama, dormindo, tranquilo, com uma expressão relaxada que não tinha nada a ver com o homem que eu conhecia no escritório — aquele que parecia sempre perfeitamente controlado, distante, inacessível.
A fisionomia dele estava leve, a respiração era constante e a mão descansava sobre mim com uma naturalidade que não batia com nada do que eu sabia sobre ele.
Fiquei quieta, olhando para o teto, tentando processar em que momento a minha vida tinha pegado um rumo tão sem lógica.
Eu tinha vindo para Bali para não me sentir derrotada.
E agora estava ali.
Com ele.
Não sei quanto tempo passou antes de ele se mexer.
O braço dele saiu da minha cintura e ele se sentou devagar, ainda meio sonolento.
— Água — murmurou.
E, de alguma forma, aquilo me trouxe de volta à realidade.
— Sim.
Levantei-me, me enrolando no lençol como se isso pudesse me devolver um pouco de controle, e lhe servi um copo de água. Quando o entreguei, ele se deu conta de tudo.
Passou a mão pelo cabelo, desfazendo aquela imagem impecável que sempre ostentava.
— Droga.
Dessa vez, não soou nem um pouco controlado.
Ele se levantou, dando alguns passos, como se tentasse reorganizar algo mais do que a situação.
— Eu tenho uma política muito clara de não me envolver com funcionárias.
Olhei para ele e soube imediatamente que ele tinha voltado.
O Adrián que eu conhecia — o homem controlado, preciso, o que não dava margem para erros ou emoções desnecessárias — estava de volta na minha frente. Mas não totalmente, porque ainda havia vestígios da noite anterior na sua expressão, na forma como evitou o meu olhar por um segundo a mais do que o normal, como se ele também não soubesse como encaixar o que tinha acontecido dentro do seu mundo perfeitamente ordenado.
— E o seu marido? — perguntou ele, então.
Respirei fundo.
— Eu não sou uma mulher infiel.
Ele franziu o cenho.
— Não sei que outro nome dar a isso — disse ele.
— Eu menti — admiti. — Não tenho marido.
Ele me encarou com as sobrancelhas juntas.
— Meu noivo me traiu — acrescentei. — Tudo foi cancelado. Eu vim porque não podia reaver o dinheiro.
Ele apenas me observou, como se estivesse enxergando algo diferente pela primeira vez.
Finalmente, soltou um suspiro e pegou a camisa.
— Vista-se — disse ele.
Pisquei.
— Desculpe?
— Vista-se — repetiu, com calma. — E volte para o seu quarto.
Houve uma breve pausa.
— Conversaremos no café da manhã.
Assenti, embora por dentro tudo continuasse girando rápido demais, como se a minha mente tentasse alcançar algo que já tinha acontecido sem me dar tempo de processar. Enquanto eu me vestia, cada movimento parecia automático, mas os meus pensamentos não paravam, voltando repetidamente ao mesmo ponto inevitável.
Eu não tinha apenas cruzado uma linha.
Eu a tinha apagado por completo, e agora não havia como fingir que ela ainda existia.