Mundo ficciónIniciar sesiónApós descobrir a traição do noivo grávida de três meses, Alice Bennett toma a decisão mais ousada da vida: aceita a oferta de emprego para ser gerente de marketing no remoto Snowfall Creek Ranch, no Texas. Seu novo chefe é Marco Hill, um cowboy viúvo, bonito e terrivelmente rabugento, que a vê como mais uma "metida da cidade" que não durará uma semana. Determinada a provar seu valor e a construir um futuro para seu bebê, Alice se vê presa em um duelo de vontades com o homem de olhos azuis e coração blindado. Mas quando a tensão entre eles explode em uma noite de tempestade, a linha profissional fica perigosamente tênue. Agora, eles precisam esconder um romance proibido que pode custar o emprego dela, o rancho dele... e os dois corações que juraram não entregar.
Leer másEu descobri que estava sendo traída numa terça-feira de manhã, usando uma camiseta velha, meias de lã cor-de-rosa e segurando um pote de sorvete de baunilha que eu nem queria de verdade.
Talvez esse tenha sido o detalhe mais humilhante de todos.
Não o fato de Daniel Bennett — meu noivo, futuro marido, homem que jurou me amar até o fim da vida e pai do bebê que crescia dentro de mim havia exatas doze semanas e quatro dias — estar na minha cama com outra mulher.
Mas o fato de eu estar ali, parada na porta do nosso quarto, parecendo uma caricatura trágica de uma esposa de comercial ruim de margarina, enquanto ele enfiava metade do corpo debaixo do lençol como se aquilo pudesse apagar a cena diante dos meus olhos.
Havia um sutiã vermelho no chão.
Não era meu.
A mulher também não parecia nem um pouco arrependida. Na verdade, teve a audácia de puxar o lençol até o peito e me olhar como se eu fosse a intrusa.
Eu continuei parada por alguns segundos. Talvez muitos. Talvez poucos. O tempo faz coisas estranhas quando seu coração decide partir no meio do peito.
A bandeja de plástico do sorvete escorregou da minha mão e caiu no chão com um baque oco. O pote rolou até bater no pé da cama, e foi só então que Daniel pareceu voltar à vida.
— Alice, espera…
Espera.
Eu queria rir.
Queria gargalhar na cara dele, alto e histérico, até perder o ar. Porque homens sempre diziam isso, não é? Espera. Calma. Não é o que parece. Posso explicar. Como se houvesse uma explicação plausível para uma mulher seminua na minha cama, no meu apartamento, com o meu noivo.
— Você trouxe ela aqui — foi a única coisa que consegui dizer.
Minha voz saiu baixa, estranhamente controlada, o que me assustou mais do que um grito teria assustado.
Daniel passou a mão pelos cabelos, atordoado, como se ele fosse a vítima daquela situação.
— Alice, eu juro, eu…
— Você trouxe ela aqui — repeti, agora mais alto.
Porque era isso que não entrava na minha cabeça. A traição já era cruel o suficiente. Mas ele a trouxe para dentro do lugar onde construímos tudo. Onde eu montava o quarto do bebê na cabeça. Onde eu deixei meus enjoos matinais, minhas listas de nomes, meus exames em cima da geladeira presos por ímã.
Onde eu o amei.
A mulher pigarreou, desconfortável.
Ótimo. Pelo menos alguém ali tinha bom senso.
— Eu acho melhor ir embora — ela murmurou.
— Acho melhor mesmo — respondi, sem olhar para ela.
Daniel se levantou depressa, enrolando o lençol na cintura.
— Alice, por favor, vamos conversar.
Eu finalmente entrei no quarto. Não por coragem. Por raiva.
A raiva é uma força impressionante. Ela entra no lugar da dignidade quando a dignidade já apanhou o suficiente.
Abri a porta do armário e puxei a primeira mala que encontrei, jogando em cima da cama. A mulher soltou um pequeno som de surpresa e saiu do colchão tão rápido que quase tropeçou nas próprias roupas.
— O que você está fazendo? — Daniel perguntou.
— Você tem razão — falei, abrindo gavetas com movimentos secos. — Alguém vai embora. E não sou eu.
Ele me encarou como se só então estivesse entendendo a dimensão do desastre.
— Alice, escuta, foi um erro.
Eu parei.
Lentamente, virei para ele.
— Um erro é colocar sal no café, Daniel. Isso? — apontei para ele, para a cama, para a mulher vestindo o vestido às pressas. — Isso é uma escolha.
Ele abriu a boca e tornou a fechar, incapaz de responder.
— Quantas vezes?
A pergunta saiu antes que eu pudesse impedi-la.
Ele passou a língua pelos lábios.
Silêncio.
Meu estômago revirou, e por um segundo achei que fosse vomitar ali mesmo, no carpete bege que eu odiava desde o dia em que nos mudamos.
— Meu Deus — sussurrei. — Mais de uma vez.
A mulher finalmente terminou de se vestir, pegou a bolsa e foi em direção à porta sem ousar me encarar de novo. Melhor assim. Eu não tinha energia para odiá-la também. Toda a minha fúria estava reservada ao homem que me prometeu um futuro enquanto destruía o presente pelas minhas costas.
Quando ela saiu, o apartamento mergulhou num silêncio grotesco.
Eu conseguia ouvir a própria respiração, curta e irregular. Conseguia ouvir o zumbido da geladeira na cozinha. O carro passando na rua. O relógio na parede da sala.
O mundo continuava girando.
Era ofensivo.
— Alice… — Daniel deu um passo na minha direção.
— Não encosta em mim.
Ele parou na mesma hora.
Levei a mão até a barriga num reflexo automático, protetor. O gesto fez o rosto dele mudar.
— Pelo menos pensa no bebê.
Eu ri.
Não porque tivesse achado engraçado. Porque, se não risse, eu choraria. E eu me recusava a dar a ele essa parte de mim naquele momento.
— Você quer mesmo usar o nosso filho para tentar parecer um homem decente?
— Eu sou o pai dessa criança.
— E você traiu a mãe dela.
As palavras cortaram o ar entre nós.
Pela primeira vez, Daniel pareceu genuinamente envergonhado. Não o bastante para não ter feito o que fez, claro. Só o bastante para baixar os olhos.
— Eu estava confuso.
— Que curioso — murmurei. — Porque eu estou grávida, abandonando minha carreira por um casamento que você jurava querer, com o corpo mudando, os hormônios me transformando numa bomba-relógio emocional… e ainda assim consegui não cair em cima de ninguém.
— Não seja cruel.
— Cruel?
Dei um passo na direção dele, sentindo meu peito arder.
— Cruel foi o que você fez comigo. Cruel foi me beijar antes de sair de casa. Cruel foi me mandar mensagem perguntando se eu queria sushi no jantar enquanto tinha outra mulher na nossa cama.
A última palavra falhou na minha garganta.
Cama.
Nossa cama.
O quarto pareceu pequeno demais. O ar, grosso demais. Cada objeto ali me ofendia de alguma forma.
Daniel tentou de novo:
— A gente pode superar isso.
Eu o encarei por um longo segundo.
Foi ali, talvez, que alguma coisa dentro de mim realmente morreu.
Não o amor — esse já vinha morrendo sem que eu soubesse, aparentemente. Mas a versão de mim que ainda acreditava que bastava amar muito para ser escolhida.
— Não existe “a gente” para superar nada — falei, calma demais. — Existe você, suas escolhas e as consequências delas.
Saí do quarto antes que ele pudesse responder.
Fui direto para a cozinha, segurei a bancada com as duas mãos e respirei fundo. Uma. Duas. Três vezes. Minha visão ficou embaçada por lágrimas que eu não queria derramar, mas que vieram assim mesmo, quentes e silenciosas.
Eu estava grávida.
Grávida.
A palavra ainda parecia nova dentro de mim, mesmo depois de semanas repetindo-a em pensamentos, consultas e aplicativos de maternidade. Eu ainda estava aprendendo a encaixar aquela nova identidade no espaço da minha vida. Ainda estava aprendendo a ser casa para alguém.
E agora minha própria casa tinha rachado ao meio.
Apoiei a testa no armário suspenso por alguns segundos, até o choro virar alguma coisa menor. Mais controlável. Mais afiada.
Então ouvi o celular vibrando sobre a mesa.
Por um instante, pensei em ignorar. Talvez fosse Chloe. Talvez fosse Daniel querendo mandar alguma mensagem patética mesmo estando a poucos metros de distância. Talvez fosse a clínica confirmando meu retorno na semana seguinte.
Mas alguma coisa me fez olhar.
Na tela, um e-mail novo.
Assunto: Proposta formal de contratação — Snowfall Creek Ranch
Franzi a testa.
Abri a mensagem ainda fungando, com a maquiagem provavelmente borrada e o coração em frangalhos.
Era de uma agência de recrutamento com quem eu tinha falado meses antes, quando ainda sonhava alto o suficiente para cogitar mudar de estado por uma boa oportunidade. Na época, a vaga parecia impraticável. Remota demais. Incompatível demais com a vida que eu pensava que estava construindo com Daniel.
A vaga era para gerente de marketing de um rancho no interior do Texas. Snowfall Creek Ranch. O texto falava sobre reposicionamento de marca, expansão digital, campanhas sazonais, recuperação de imagem, turismo rural, eventos de inverno.
Salário acima da média.
Moradia inclusa.
Início imediato.
Li uma vez. Depois outra.
Atrás de mim, ouvi os passos de Daniel se aproximando, cautelosos.
— Alice…
Virei o rosto na direção da janela antes que ele visse o que havia na tela.
Lá fora, a cidade seguia igual. Barulhenta. Apressada. Indiferente.
Aqui dentro, tudo tinha acabado.
Ou talvez não.
Talvez alguma coisa estivesse começando.
Olhei de novo para o e-mail.
Depois para a bancada. Para o apartamento. Para a vida que eu tinha passado meses decorando como quem arruma uma vitrine bonita sem perceber que a estrutura inteira estava podre.
Minha mão pousou sobre a barriga outra vez.
— O que eu tenho a perder? — sussurrei, mais para mim mesma do que para qualquer outra pessoa.
O dia do vestido chegou como uma brisa leve e dourada, trazendo consigo uma emoção que eu não sentia há semanas.Rosa e a mãe de Daniel apareceram no hospital no início da tarde, carregando uma sacola grande e branca que parecia pesar mais do que aparentava. Os olhos das duas brilhavam com uma excitação que eu não via nelas há muito tempo, e eu soube, naquele momento, que aquele não seria apenas um momento qualquer. Seria um momento para guardar na memória para sempre.— Trouxemos o vestido — Rosa anunciou, colocando a sacola sobre a cama com um cuidado quase solene.— O vestido? — repeti, sentindo o coração acelerar. — Voc&
Os dias no hospital começaram a se misturar, mas uma coisa permanecia constante: a determinação de que aquele casamento ia acontecer, não importava o que viesse.Eu estava mais estável. As contrações haviam diminuído, e a médica parecia mais otimista. Naquela manhã, durante a visita, ela me surpreendeu com a notícia que eu tanto esperava.— As meninas estão bem, sua pressão estabilizou e as contrações diminuíram — a médica anunciou, olhando para o prontuário. — Se tudo continuar assim, você pode ter alta em alguns dias.— Alguns dias? — repeti, sentindo o coração acelerar.
O corredor do hospital estava vazio quando Rosa me encontrou.Eu estava encostado na parede, os olhos fixos na porta do quarto de Alice, a mente girando em círculos. Não conseguia parar de pensar em tudo o que a médica tinha dito – cesárea, parto prematuro, UTI neonatal. As palavras ecoavam na minha cabeça como um disco arranhado, repetindo-se sem parar.— Você precisa descansar — Rosa disse, sentando-se na cadeira ao meu lado.— Não consigo.— Sei. Mas precisa tentar.— Rosa...&md
O quarto do hospital era branco demais, limpo demais, silencioso demais.Eu estava deitada na cama, os olhos fixos no teto, as mãos pousadas sobre a barriga como se pudesse sentir as meninas através da pele. Elas estavam quietas agora – exaustas, talvez, ou apenas descansando depois do susto da tarde. Eu não sabia. Só sabia que o silêncio era ensurdecedor, e que cada segundo parecia uma eternidade.Marco estava sentado ao meu lado, a mão dele apertando a minha com uma força que beirava a dor. Ele não tinha saído do quarto desde que eu fui internada. Não tinha comido, não tinha dormido, não tinha feito nada além de ficar ali, me olhando, como se eu pudesse desaparecer se ele desviasse os olhos.





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