A revelação da Nádia parecia ecoar repetidas vezes dentro da minha cabeça, como se cada palavra pudesse me destruir mais um pouco. Fiquei ali, imóvel, tentando acreditar que aquilo era só um pesadelo muito bem arquitetado, mas a dor no meu peito era real demais para ser um sonho.
Senti a respiração falhar. O ar se tornou inimigo. Corri para o banheiro com as mãos trêmulas e, assim que me ajoelhei diante da privada, toda a comida que havia acabado de ingerir foi forçada para cima. Eu soluçava enquanto vomitava, como se meu corpo estivesse tentando expulsar não só o café da manhã, mas o terror, o desespero, a revolta.
Me apoiei nas bordas frias da pia, tentando controlar a tontura. O reflexo no espelho era o de uma estranha, olhos inchados, vermelhos, completamente perdidos. Abri a torneira com violência e lavei a boca, depois afoguei o rosto em água fria, esperando que aquilo me acordasse para outra realidade. Mas quando ergui o olhar novamente, ela continuava ali, a nova versão de mim