Rocco Mancini
Abri as portas duplas da sala de estar com a força de um homem que entra em um campo de batalha, não em seu próprio lar. O som dos meus passos ecoava no mármore, um metrônomo pesado marcando o fim de qualquer paz que tivéssemos ensaiado nos últimos dias.
Ela estava lá. Sentada no sofá de veludo azul, com a luz suave do abajur iluminando apenas metade do seu rosto. No colo, Luigi dormia, um pequeno fardo de inocência que parecia ignorar o cheiro de pólvora e traição que eu trazia comigo. Quando ela me viu, seus olhos brilharam. Não era o brilho do medo que eu estava acostumado a ver; era algo pior. Era gratidão. Era uma esperança frágil que me fez querer recuar, dar meia-volta e sumir na escuridão da noite.
— Rocco — ela sussurrou, a voz carregada de uma ternura que eu não merecia. — Você voltou. Eu... Matteo me deu a foto. A cirurgia foi um sucesso. Eu não sei como agradecer. Eu nem sabia se você viria hoje, mas eu queria que você visse...
— Levante-se, Scarlett.
Mi