Rocco Mancini
O quarto principal, que antes parecia um monumento à solidão e ao poder frio da linhagem Mancini, agora exalava o cheiro de sabonete de bebê e a umidade quente de um banho que terminou em risos. Luigi finalmente havia sucumbido ao cansaço, dormindo no berço de carvalho entalhado ao lado da nossa cama, com os punhos fechados e a respiração rítmica de quem não conhece os pecados do pai.
Eu estava em pé diante da janela, observando a escuridão do jardim. Minha camisa branca, ainda úmida e grudada ao corpo, era um lembrete físico daquela hora de paz que tive com eles. Mas a paz é uma moeda escassa no meu mundo, e eu já tinha gasto todo o meu crédito.
Senti a presença de Scarlett atrás de mim antes mesmo de ouvir seus passos. Ela se aproximou com a cautela de quem pisa em um campo minado, mas não tinha medo em seus olhos — havia uma sede de verdade que eu não podia mais ignorar.
— Você está tenso, Rocco — ela disse, sua voz suave cortando o silêncio. — O riso no banheiro foi