Rocco Mancini
O escritório ainda cheirava à fumaça do meu charuto e ao suor frio de Vincenzo, mas o ar agora estava carregado com uma eletricidade diferente. Eu precisava que o mundo soubesse que a mudança de guarda nos Mancini não era um convite para a anarquia, mas o nascimento de uma tirania muito mais eficiente. Os Lucchese, em sua arrogância romana, achavam que eu estaria ocupado demais limpando o sangue dos lençóis para notar suas movimentações nas fronteiras do meu território. Eles estavam errados.
— Matteo — chamei, sem tirar os olhos do mapa da Calábria estendido sobre a mesa.
— Sim, Dom.
— A carga de armamento pesado que os Lucchese estão trazendo de Marselha... aquela que deveria abastecer o arsenal de Lorenzo Lucchese até o fim da semana. Onde ela está agora?
— Entrando na rodovia litorânea, senhor. Duas carretas, escoltadas por seis homens. Eles acham que o selo dos Romano ainda garante passagem livre.
Um sorriso frio curvou meus lábios. Eles ainda não tinham