Rocco Mancini
O asfalto da rodovia que levava ao aeroporto privado de Fiumicino parecia uma fita negra estendida sob o sol impiedoso da Itália.
Era começo de um verão que eu sabia que iria ser severo para todos.
Dentro do SUV blindado, o ar-condicionado trabalhava no máximo, mas o ambiente estava carregado com uma eletricidade estática que fazia os pelos do meu braço se arrepiarem. Eu estava sentado no banco de trás, recostado contra o couro, sentindo cada pontada rítmica na minha ferida. O sangue que Scarlett estancara mais cedo parecia pulsar no ritmo do motor, lembrando-me de que eu ainda era feito de carne e osso, embora o mundo me visse como um deus de mármore e morte.
Ao meu lado, Matteo conferia o visor de um tablet, monitorando os sinais de rádio dos nossos batedores. À frente, Carlos dirigia com uma precisão cirúrgica, os olhos fixos na estrada, mas a mente, eu sabia, ainda estava naquele jardim de inverno, protegendo o que restava da alma de Giulia.
— Marco acaba de entra