Rocco Mancini
O sol finalmente rompeu a névoa de Roma, mas não trouxe calor; trouxe a luz fria e cortante que precede o derramamento de sangue. Eu estava de pé no pátio de cascalho da mansão, o vento matutino fustigando as abas do meu sobretudo preto. O som dos motores dos SUVs blindados em marcha lenta era o batimento cardíaco da guerra que eu estava prestes a entregar na porta de Marco.
Meus homens estavam posicionados como estátuas de ébano ao redor dos carros. Matteo e Carlos já estavam lá, verificando os carregadores, os rádios, as rotas de fuga. Mas eu... eu ainda sentia o rastro do perfume de Scarlett na minha pele. O peso da promessa que fiz a ela no quarto, entre os lençóis e as confissões, era a armadura mais pesada que eu já tinha vestido.
Eu me virei para a entrada da mansão. Scarlett estava lá, emoldurada pela porta de carvalho. Ela segurava Luigi nos braços. Meu filho, meu herdeiro, o sangue do meu sangue que meus inimigos pensaram que poderia usar como moeda de troca.