Scarlett Johnson
A luz que entrava pelas janelas da suíte master não era o brilho pálido e doentio das lâmpadas fluorescentes da ala leste. Era uma luz de ouro puro, quente e persistente, que denunciava cada partícula de poeira suspensa no ar. Abri os olhos devagar, sentindo o peso das minhas pálpebras como se estivessem coladas por anos de choro e exaustão. Por um segundo, o pânico familiar subiu pela minha garganta — aquele aperto no peito que me dizia para procurar as paredes de concreto, para verificar se Luigi ainda estava respirando no silêncio sufocante do porão.
Mas o toque não era de cimento frio. Era seda.
Meus dedos se fecharam sobre os lençóis de fios egípcios, e o cheiro... o cheiro não era de mofo e geradores. Era o aroma de Rocco. Sândalo, couro caro e algo profundamente masculino que sempre foi meu ponto de equilíbrio e minha perdição.
Virei o rosto lentamente, com medo de que qualquer movimento brusco quebrasse a ilusão e me jogasse de volta para o pesadelo. Foi