Scarlett Johnson
O tempo na ala leste não era medido por relógios, mas pela lenta e dolorosa decomposição da sua sanidade. Naquela penumbra artificial, onde o dia e a noite se fundiam em um cinza perpétuo, os minutos não passavam; eles pesavam. Eram como gotas de chumbo caindo sobre sua alma, acumulando-se até que ela sentisse que iria sufocar sob o peso do próprio medo.
Cada ciclo de silêncio era uma tortura. O zumbido constante dos geradores tornou-se uma trilha sonora de pesadelo, uma vibração que sentia nos ossos, me lembrando a cada segundo que estava sendo enterrada viva. Sentia as paredes de concreto se contraindo, aproximando-se centímetro a centímetro. A falta de luz natural desorientada nos meus sentidos de tal forma que, às vezes, passava horas tocando o próprio rosto, tentando se certificar de que ainda era real, de que não havia se tornado apenas mais uma sombra naquelas paredes frias.
A dor não era apenas emocional; era física. Meus músculos estavam rígidos de tensão,