Mundo ficciónIniciar sesiónAlessandra era noiva de Luca Romano, um homem dominante e temido, que mantinha o relacionamento escondido como se ela não fosse digna de fazer parte do seu mundo. O golpe final veio quando ela flagrou ele junto com a empregada na sua própria cama . Arrasada e com sede de vingança, ela foi para uma boate decidida a afogar todas as suas mágoas. Lá, conheceu um homem misterioso que abalou completamente suas estruturas. Atraída de forma irreversível, ela acabou em sua cama, se entregando a uma paixão que jamais imaginou sentir. Só depois veio a grande revelação: ele é dante Romano, o irmão mais velho de seu ex namorado Lucas e também Capo da Ndrangheta, a máfia mais perigosa da Itália. Há anos os dois travam uma guerra sangrenta pelo poder e pelo comando da família. Agora, Alessandra se tornou a obsessão dos Irmãos Romano, o maior tesouro dessa disputa e eles farão qualquer coisa para conquistá‑la.
Leer másO gosto amargo da traição era mais denso que o do gim tônica que eu tentava engolir. Cada gole descia queimando, não pela acidez do álcool, mas pela ferida aberta que Luca havia deixado. Dois anos. Dois anos da minha vida, da minha dedicação, da minha alma entregues a um homem que, no fim das contas, me traiu da forma mais vil possível, peguei ele na cama com a nossa empregada Carolina. E pior descobrir que não foi uma vez ,a meses ele vinha transando com a empregada que eu tratava como uma amiga.
Nestes dois anos fui a compreensiva, aceitando as migalhas que ele me oferecia. Nunca me assumiu para a família dele, nunca me apresentou como a sua mulher. Eu era a noiva secreta, a que morava com ele, mas que não existia oficialmente. A humilhação me sufocava . ___"Alessandra, por favor, pare de se afogar nessa bebida . Você vai acabar desmaiando aqui mesmo", a voz de Camila, minha melhor amiga, soou distante, abafada pela batida pulsante da boate . ___Me deixa, Camila . Eu só quero que tudo isso pare. Que a dor pare", murmurei, a voz embargada, os olhos marejados. Eu nunca fui de boates. Minha vida era um livro aberto, previsível, com Luca. Agora, eu estava aqui, num lugar que cheirava a suor, desejo e desespero, tentando me perder, afogar toda a dor que habitava meu peito. __"Ele não vale uma lágrima sua, amiga. Ele é um babaca. Um covarde que não soube te dar o valor que você merece", Camila tentou me consolar, mas as palavras pareciam vazias. As palavras dela entravam por um ouvido e saíam pelo outro, porque a voz de Luca ecoava na minha cabeça como um martelo batendo sem parar. “Você é calma demais, não tem fogo… "Não me faz sentir o que eu preciso.” Ele repetia isso tantas vezes que eu acabei acreditando. Achava que o problema estava em mim, que eu era mesmo insuficiente, apesar de entregar tudo o que eu tinha de melhor. — Será que ele tem razão? — sussurrei, olhando para o copo que eu girava entre os dedos. Será que sou mesmo tão sem graça, tão incapaz de despertar desejo em alguém? Camila segurou meu rosto com firmeza, obrigando-me a olhar para ela. Seus olhos estavam cheios de raiva, não de mim, mas dele. — Você ouviu o que eu disse? Ele é um covarde! Disse isso só para justificar a própria sujeira. Você é incrível, Alessandra. Tímida, sim, mas com um coração enorme e uma beleza que poucos conseguem enxergar. O problema nunca foi você, foi a pequenez dele que não soube valorizar o que tinha nas mãos. Ela tinha razão, mas a insegurança estava entranhada em mim. Eu só queria uma coisa naquele momento: provar para mim mesma que eu poderia ser diferente, que eu poderia despertar paixão, ser desejada de verdade, nem que fosse por uma única noite. Bebi o resto da bebida de uma vez só, sentindo o líquido descer queimando pela garganta, e ergui a cabeça. — Você tem razão falei, com mais firmeza na voz do que eu imaginava ser capaz. Foi então que eu o vi... Encostado no balcão, a poucos metros de distância, ele parecia não pertencer àquele lugar barulhento e bagunçado. Era alto, ombros largos, vestia um terno preto impecável que se ajustava perfeitamente ao seu corpo. Os cabelos negros estavam penteados para trás, revelando um rosto de traços marcantes e sérios. Mas o que mais me prendeu foram os olhos: de um azul profundo, intenso, que pareciam enxergar além de tudo e de todos. Ele exalava poder, mistério e uma força que eu nunca tinha visto em Luca. Era um contraste gritante com Luca, que, apesar de sua reputação, sempre teve uma elegância mais polida, mais contida. Este homem era selvagem, indomável. Nossos olhares se cruzaram e, por um instante, todo o barulho ao redor desapareceu. Eu senti um arrepio percorrer todo o meu corpo, um calor que não vinha da bebida, mas de algo novo e desconhecido. Ele não desviou o olhar, apenas continuou me observando com uma intensidade que me fez sentir, pela primeira vez em muito tempo, vista de verdade. Camila percebeu meu olhar fixo e perguntou curiosa: — Quem é? ela perguntou, seguindo a direção dos meus olhos. — Não faço ideia ! sussurrei, a voz um pouco rouca. Ele se desencostou do balcão e começou a caminhar em nossa direção. Cada passo era deliberado, confiante. Meu coração acelerou.Eu deveria fugir, me esconder na escuridão da noite, mas meus pés estavam enraizados no chão. A adrenalina pulsava, e um calor estranho começou a se espalhar pelo meu corpo. Camila notou a aproximação e, com um sorriso cúmplice e um leve aperto no meu braço, sussurrou: — Acho que vou ao banheiro. Não se meta em encrenca. E desapareceu na multidão. Minha amiga era uma estrategista nata. Ele parou a poucos centímetros de mim, a altura imponente me fazendo erguer o queixo para encará-lo. O cheiro de uísque e um perfume amadeirado e masculino me envolveu. Seus olhos, de um azul profundo como o mar em noites de tempestade me varreram de cima a baixo, demorando-se em meus lábios. — Perdida?" Eu ri, um som fraco e sem humor. __"Mais do que você pode imaginar." Ele não sorriu, mas um canto de seus lábios se curvou minimamente. ___ Aliás sou Dante __Alessandra." Minha mão pareceu pequena e frágil na dele. __ "Você parece precisar de algo mais forte do que espumante." ___"Talvez eu precise de algo diferente de tudo que já provei," eu disse.Algo que me faça esquecer a dor , da traição e até do meu nome Ele se inclinou um pouco mais, a voz grave e rouca roçando os meus ouvidos como uma promessa de pecado: — Eu posso te dar tudo isso, Alessandra. E muito mais. __E o que seria isso?" ___ Algo que jamais irá esquecer anjo. — Aceito. Não tinha medo nenhum. Eu já vivia o pior, então nada mais poderia me machucar.O sol mal nascia e eu já estava de pé, vestida com um terninho discreto, tentando apagar qualquer rastro da mulher que ele conhecera naquela noite. No espelho, via apenas uma máscara de profissionalismo, mas por dentro era um caos: coração disparado e um nervosismo que não passava. Cheguei à Romano Enterprises vinte minutos antes do horário, determinada a não dar motivos para reclamações. O elevador subiu devagar, como se me levasse ao abismo, e quando as portas se abriram no último andar, o ar pareceu mudar. O espaço era amplo, luxuoso e silencioso, tão imponente quanto o seu dono. Minha mesa ficava estrategicamente posicionada de frente para a porta de vidro da diretoria, e através dela eu podia ver a silhueta de Dante, de costas, observando a cidade. Apenas ver aquela figura alta e forte foi o suficiente para fazer minhas pernas amolecerem novamente. Sentei-me, liguei o computador e repeti para mim mesma: Profissional. Apenas profissional. Não demorou muito e ele saiu. Vestia um
Saí da sala com as pernas bambas, como se toda a força tivesse sido sugada do meu corpo. Fechei a porta devagar, encostei-me na madeira fria e só então deixei o ar sair dos meus pulmões, num suspiro tremido e desesperado. O coração batia tão forte que eu tinha certeza que podia ser ouvido do lado de fora.O dono da empresa, o homem poderoso que todos temiam e respeitavam... era Dante. Era o cara misterioso daquela noite. O homem que eu tinha conhecido na boate, quando eu estava completamente destruída, bêbada, magoada, jogada ao vento depois de tudo o que Lucas tinha me feito passar. Eu tinha me entregado a ele, tinha chorado nos seus braços, tinha dito coisas que jamais imaginei dizer para alguém, e fugi de madrugada, cheia de vergonha, jurando que aquilo ficaria para sempre no passado, como um erro enorme que eu tinha cometido. E agora, o destino, com a sua ironia cruel, tinha me jogado bem na frente dele outra vez. E pior: ele era o meu chefe. Quando virei e vi aquele rosto fami
Afastei-me de repente, como se tivesse levado um choque. Virei-lhe as costas por um momento, controlando a fúria e a dor que se misturavam dentro de mim. Ela tinha jogado tudo fora. Tinha chamado o que houve entre nós de erro, de vergonha, de coisa de momento. Virei-me novamente, com a expressão fechada, fria, apagando todo o sentimento que havia ali, voltando a ser o dono de império que ela conhecia apenas de nome. — Como quiser! disse, seco, cortante. Agora sente-se. Vamos falar de trabalho. — Eu... ela tentou falar novamente, com a voz fraca. — Aceite o emprego ,ordenei, sem dar espaço para discussão. — Estou precisando de uma secretária. Só isso. Nada mais. Ela murchou diante dos meus olhos, como uma flor arrancada do pé, perdendo toda a força e a coragem que tinha tentado reunir. Caminhou devagar até a poltrona em frente à minha mesa e se sentou, curvada, os ombros caídos, parecendo menor do que nunca. Eu me sentei também, puxei o contrato que já estava pronto e o empurr
Ela tinha aceitado a promoção, mas também havia feito uma proposta irrecusável, e eu não podia estar mais satisfeito. Estava ansioso igual a um adolescente, o coração disparado no peito como há muito tempo não sentia. Enchi um copo de whisky até a metade e fui sorvendo o líquido dourado, sentindo o gosto da vitória antecipada, esperando impacientemente. Até que a recepcionista interfonou.— Senhor Romano, a senhorita Alessandra chegou.Naquele momento, meu coração errou uma batida, pareceu até parar por um segundo. Apenas o som do nome dela já mexia comigo de um jeito que eu não conseguia controlar.— Mande entrar! — respondi, com a voz mais firme que consegui.Deixei o copo sobre a mesa e fui até a grande janela de vidro, ficando ali de costas para a porta, observando a cidade lá embaixo, mas com todos os meus sentidos voltados para o que acontecia atrás de mim. Ouvi a batida suave na porta.— Entre — disse, gravemente.Seus passos ecoaram pelo piso frio da sala, leves, hesitantes, e
Último capítulo