Entrega total ( Alessandra)

Ele entrelaçou os dedos grandes e quentes nos meus, apertando minha mão com uma firmeza que parecia me reivindicar por inteiro, e puxou-me para o centro da pista, onde a batida grave fazia o chão vibrar e o ar parecia denso, carregado de desejo. Eu o seguia sem vontade própria, o coração disparado.

Olhei para trás e vi Camila me observar com um sorriso cúmplice. Ela ergueu o copo num brinde silencioso, me dando permissão para ir. Virei-me de volta para Dante, e todo o resto do mundo desapareceu.

— Eu não sei dançar... — sussurrei, corando.

Ele sorriu, aquele sorriso perigoso que prometia tudo.

— Eu ensino.

A voz dele foi um roçar de pele, baixo e rouco. Num movimento rápido, ele me colou ao seu corpo. Um braço envolveu minha cintura, deslizando firme pela coluna, apertando-me contra a dureza dos seus músculos, fazendo-me sentir cada contorno seu através do tecido da roupa. Nenhuma distância restou entre nós. Suas mãos, grandes e quentes, seguraram as minhas, entrelaçando os dedos com posse absoluta.

— Apenas se deixe levar... Eu comando tudo aqui.

E comandava mesmo.

Nos movíamos num ritmo lento e arrastado, completamente alheios à música ao redor. Era uma dança de corpos, de atritos deliberados. Ele deslizava contra mim, roçando, pressionando, num vai e vem que me deixava tonta, fazendo um calor ardente subir do baixo ventre, alastrando-se por todo lado, deixando minha pele sensível e em brasa. Eu sentia sua respiração quente no pescoço, o cheiro forte de uísque e pele masculina me embriagando mais do que qualquer bebida.

Inclinei o rosto, encontrando aqueles olhos azuis que me hipnotizavam, e implorei, com a voz carregada de desejo:

— Me faça esquecer, Dante... por favor, me faça esquecer de tudo.

Ele parou, imóvel, mas sem me soltar. Seu olhar escureceu, dividido entre o que queria e o que achava certo.

— Alessandra... você é tão jovem, tão ingênua... murmurou, acariciando meu rosto com dedos que queimavam.Eu sou um homem mais velho, com o dobro da sua experiência. Não é justo envolver você nisso.

Suas palavras doeram como uma rejeição. Eu me afastei, os olhos cheios de lágrimas e raiva.

— Então tudo bem! falei, tremendo. Se sou nova demais, vou procurar qualquer um na rua, em qualquer lugar! Qualquer um serve, desde que me faça sentir algo! Qualquer um é melhor do que ser deixada de novo!

Virei para ir, mas ele me puxou de volta com força, fazendo-me bater contra seu peito. Segurou meu queixo com firmeza, os olhos brilhando de fúria e uma luxúria que me fez estremecer inteira.

— Você não vai com ninguém, entendeu? rosnou, dominador. Ninguém toca o que é meu. Se quer esquecer, vem comigo. Você vai apagar tudo... mas será comigo.

Saiu da pista me puxando, abrindo caminho como se fosse dono de tudo. No carro, o silêncio era pesado; ele me devorava com os olhos, percorrendo cada curva, fazendo-me sentir nua sob o tecido da roupa. Quando paramos diante de um prédio imponente, subimos sem trocar palavras.

A porta do apartamento se fechou e trancou, e ali não existia mais nada além de nós dois.

Ele foi até a mesa, pegou vinho, encheu uma taça e bebeu tudo de um gole, sem desgrudar os olhos dos meus, deixando um fio escorrer pelo canto da boca. O ar parecia queimar de tanta tensão sexual, tão densa que eu podia tocar.

Veio até mim, colou o corpo no meu e me prendeu contra a parede, segurando-me pela nuca, os dedos entrelaçados e puxando levemente meus cabelos. Colou a boca na minha e beijou-me com uma fome voraz, invasora, e eu senti o vinho quente e doce escorregar da língua dele para a minha, gota a gota, misturando o gosto da bebida com o gosto dele, me enchendo de um calor intenso que desceu diretamente ao meu íntimo. Ele beijou-me como se quisesse me consumir, apertando minha cintura, arrastando as mãos pesadas e ásperas pelas minhas coxas, explorando cada parte de mim com uma intimidade que tirava o fôlego.

Limpou o resto de vinho do canto da minha boca com o polegar, devagar, num toque íntimo e cheio de promessas.

— Agora sim... — sussurrou, a voz rouca de desejo puro. — Agora eu vou te dar tudo o que pediu. E você jamais vai lembrar de outro nome que não o meu.

Levou-me ao quarto e, ali, a noite se tornou um turbilhão de sensações e entrega. A luz suave do abajur iluminava o ambiente, mas eu só conseguia enxergar ele. Seus toques eram firmes, experientes e incrivelmente sensíveis, despertando em mim reações que eu nem sabia que existiam. Ele me despiu devagar, com uma calma torturante, e eu senti seu olhar passear por cada centímetro do meu corpo nu como se eu fosse algo raro e precioso.

Beijou-me por todo lado, chupando, mordendo, deixando marcas avermelhadas por onde passava deixando- me desejosa de mais.

Entrou devagar, preenchendo-me por completo, num encaixe perfeito, como se meu corpo tivesse sido feito apenas para caber nele. No início ele manteve um ritmo lento para que eu me acostumasse mas depois ele me ergueu as pernas, aprofundando ainda mais o movimento, fazendo-me sentir cada golpe, cada centímetro seu dentro de mim, me levando ao ápice repetidas vezes, até que eu não tivesse mais forças, até que eu me derretesse de prazer debaixo dele, gritando seu nome como uma súplica e uma oração.

Horas depois, o cansaço finalmente o venceu. Ele adormeceu ao meu lado, o braço ainda jogado sobre mim como marca de propriedade, a pele ainda quente e suada

Eu abri os olhos devagar, o corpo ainda sensível e cheio da lembrança de cada toque. Sentei-me devagar, sentindo uma estranha mistura de liberdade e culpa no peito. Olhei para ele: o desconhecido com quem eu tinha acabado de me entregar, algo que jamais imaginei ser capaz de fazer, algo que ia contra tudo o que eu sempre fui e acreditei.

Vesti-me em silêncio, evitando qualquer barulho, sentindo ainda o gosto dele na boca e o calor dos seus toques na pele. Antes de sair, lancei um último olhar à cama, gravando aquela sensação na memória. Saí do apartamento e fechei a porta devagar, deixando para trás o estranho que me ensinou o que era prazer de verdade, e levando comigo a estranheza de saber que, pela primeira vez na vida, eu tinha feito algo apenas por mim.

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