Estava no meu escritório e o ar ali dentro estava como sempre pesado, cheiro de couro, charuto e poder. Mas naquele dia, como nos últimos dias, a minha mente não estava nos negócios e sim em Alessandra. Nenhuma mulher tinha feito aquilo comigo. Nenhuma mulher tinha tido a coragem de entrar na minha vida, me dar o melhor prazer que eu já senti, e simplesmente desaparecer de madrugada, sem deixar rastro, sem telefone, sem endereço. Eu, Dante Romano. O Capo. O homem que todos temem, que todos obedecem, que possui tudo e todos onde quer que eu vá. E ela me tratou com indiferença. E isso não doeu só no meu orgulho, mexeu com algo muito mais fundo, algo perigoso e possessivo que existia dentro de mim. A porta se abriu sem bater , apenas os meus homens de confiança tinham esse direito , e Salvador entrou. Ele era um dos mais antigos, leal como um cão de guarda, discreto, eficaz. Nas mãos, segurava um envelope pardo, grosso, fechado com lacre. Ele parou em frente à minha mesa, o rost
Ler mais