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05_A Visão de Philips

O Jardim das Revelações

O campo de treinamento era um vasto terreno de terra batida e suor, cercado por estacas de madeira e cercas baixas. O ar salgado misturava-se ao pó levantado pelos passos pesados dos homens. Alvos de palha, espadas de madeira e escudos desgastados espalhavam-se pela área, testemunhas silenciosas de horas de esforço. O instrutor, um homem alto e barbudo com voz que mais parecia o rosnar de um urso, gritou: "Última série!" Os homens, exaustos, alinharam-se e executaram os movimentos finais com a precisão cansada de quem já deu tudo de si.

Quando o treino terminou, muitos caíram no chão, ofegantes, enquanto outros trocaram cumprimentos e brincadeiras entre risadas. Philip, porém, parecia incansável.

— Philip, onde você está indo? O treino mal acabou! Como ainda tem tanta disposição? — gritou Felix, seu amigo e companheiro de treino.

— Preciso ir. Tenho um compromisso. Bom descanso, pessoal! — respondeu Philip, já a caminho dos vestiários.

Os outros homens olharam surpresos para sua retaguarda, enquanto o instrutor sorria, orgulhoso da dedicação do jovem duque.

Após um banho rápido que o fez sentir-se renovado, Philip penteou seus cabelos ruivos para trás com um único movimento e vestiu um traje formal—sugestão de seu assistente. Ao descer de sua carruagem diante da mansão dos Eldrich, seus olhos foram imediatamente capturados por uma visão que parecia saída de um sonho.

Ela era como um raio de sol personificado. Alessia. Seus cabelos loiros variavam entre tons dourados e claros, como trigo maduro sob o sol. Seus olhos azuis—um contraste perfeito—brilhavam com uma inocência que fazia qualquer homem querer protegê-la. Magra e de silhueta delicada, ela tinha uma postura esguia, com ombros estreitos e quadris suaves. Sua pele clara ganhava tons rosados nas maçãs do rosto, dando-lhe um ar de fragilidade encantadora.

Ela agarrou seu braço com um gesto rápido e preciso, sua voz elevada e doce como o canto de um pássaro.

— Que bom que você está aqui! Estava morrendo de saudades!

Seu sorriso era tão radiante que parecia aquecer o ar ao redor. Enquanto caminhavam em direção à grande residência, algo à beira do lago chamou a atenção de Philip.

O sol da tarde derramava-se como mel dourado sobre o jardim, tingindo cada folha e pétala de um brilho sereno. No centro, um lago tranquilo espelhava o céu, suas águas límpidas guardando um mundo invertido de nuvens e pedras musgosas. À beira d'água, uma figueira anciã estendia seus galhos retorcidos, projetando sombras que dançavam ao sussurro da brisa.

E ali, sob a proteção da velha árvore, ela estava.

Reclinada contra as raízes, com um livro aberto no colo, Sophia parecia uma oferenda à natureza. Seu corpo curvava-se perfeitamente contra o tronco, desenhando linhas hipnóticas sob a luz filtrada. O vestido leve, colado ao torso pela brisa, revelava curvas esculpidas—a cintura estreita que se abria em quadris generosos, os seios firmes elevando-se a cada respiração, as coxas torneadas cruzadas com graça inconsciente.

Seus cabelos castanho-escuros caíam como seda sobre os ombros dourados—a pele bronzeada brilhando como se polida pela luz. Seu nariz pequeno e delicado dava-lhe um ar de nobreza, enquanto os lábios vermelhos e carnudos murmuravam as palavras do livro com uma sensualidade involuntária.

Mas eram os olhos que prendiam—grandes, amendoados, da cor do mel quente—que piscavam lentamente, erguendo-se das páginas para observar o horizonte, perdidos em pensamentos profundos. Quando esticou as pernas, o tecido do vestido escorregou, revelando canelas suaves e pés descalços que se enterravam na grama macia.

Philip, oculto na sombra, sentiu a garganta secar. Cada movimento dela era uma coreografia hipnótica—o dedo enrolando um fio de cabelo atrás da orelha, a curva das costas arqueando-se levemente. Havia nela uma combinação explosiva de inocência e sensualidade. Quando sorriu sozinha para alguma passagem do livro, revelando um pequeno dimple na bochecha, algo dentro dele se agitou. Era ela... mas ao mesmo tempo, não era. A mesma garota de infância, mas transformada.

— O que você está olhando, Philip? — a voz de Alessia trouxe-o de volta à realidade.

— O quê?! — ele pareceu sair de um transe.

— Você está me ouvindo? Vem! O conde disse que pretende nos ver para acertarmos alguns detalhes antes de oficializarmos o noivado.

— Certo. Nosso compromisso. — respondeu, mas sua mente ainda estava presa à imagem de Sophia sob a árvore.

Algo o inquietava—as palavras dela no campo de treino, pedindo que ele a ajudasse a encontrar um marido... Era estranho.

Após a reunião com o conde, onde soube que o anúncio oficial do noivado seria adiado, Alessia despediu-se.

— Philip, fala com Sophia para que ela reconsidere o término, sim? Ela sempre te escutou. — pediu, com um olhar de cachorrinho triste.

— Vou tentar. — prometeu ele, sem muita convicção.

— Obrigada! — ela deu-lhe um beijo na bochecha e partiu.

Ao voltar para a sala do conde para discutir assuntos governamentais, Philip surpreendeu-se com uma pergunta inesperada:

— Você sabe por que terminou o noivado entre Jonas e Sophia?

O conde nunca mostrara interesse pela filha; a pergunta soou estranha.

— Na verdade, não.

— Sempre achei que vocês dois terminariam juntos. Mas a vida prega peças. Pode ir. — disse o conde, dispensando-o.

Ao retornar ao jardim, a dúvida se Sophia ainda estaria lá fez com que fosse verificar. E ela estava. Adormecida sob a figueira, como uma princesa encantada em seu reino de sombras e luz. Seu livro descansava aberto sobre o colo, e sua respiração era suave e regular. Philip parou a uma distância respeitosa, observando-a. Era a mesma Sophia que sempre conhecera, mas agora via nela uma profundidade que nunca notara—uma força silenciosa, uma beleza que não precisava de dourados ou sedas para brilhar.

E, pela primeira vez, questionou se estava mesmo no caminho certo.

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