Mundo de ficçãoIniciar sessãoPOV: Ethan Vance
“O instinto reconhece aquilo que a mente ainda tenta negar.”
O cheiro dela estava me destruindo. Não de uma forma humana, mas muito pior. Kaos também sentia. Meu Lycan caminhava inquieto dentro da minha mente desde o instante em que Clara Martins entrou naquele salão.
"Companheira."
A voz grave dele atravessou meus pensamentos pela décima vez em menos de um minuto. Fechei os olhos rapidamente, tentando recuperar algum controle. Não, aquilo era impossível. Humanos não podiam formar laços de companheiros com Lycans; nunca aconteceu e nunca deveria acontecer. Mas Kaos não se importava com lógica. O instinto dele havia reconhecido Clara imediatamente, e agora meu próprio corpo começava a reagir como se ela fosse a coisa mais importante do mundo, o que era um desastre absoluto.
[ETHAN VANCE — Falando com Clara]
— Você precisa ir embora daqui.Ela cruzou os braços imediatamente, desafiadora.
"Companheira tem coragem."
Kaos parecia satisfeito com aquilo. Ignorei.
[CLARA MARTINS — Respondendo firme]
— Acho que consigo decidir isso sozinha.Meu maxilar travou. Normalmente, aquela resposta teria arrancado um sorriso meu, mas não agora. Não com Julian observando cada movimento nosso. O vampiro permanecia alguns passos atrás dela, girando lentamente uma taça de vinho entre os dedos como se estivesse assistindo a um espetáculo particular. E talvez estivesse mesmo, porque Julian percebeu. Claro que percebeu. Vampiros tinham sentidos aguçados demais para ignorar mudanças emocionais e cheiro hormonal. Talvez ele não entendesse completamente o que estava acontecendo, mas sabia que Clara havia se tornado importante para mim. E isso já era perigoso o suficiente.
"Proteja ela."
Kaos voltou a falar. Meu Lycan raramente usava palavras completas; normalmente emoções e impulsos eram suficientes para nossa comunicação. Mas Clara… Clara estava afetando até ele.
[ETHAN VANCE — Tentando acalmá-la]
— Clara, você precisa confiar em mim.Ela soltou uma pequena risada nervosa.
[CLARA MARTINS — Desconfiada]
— Você continua dizendo isso sem explicar absolutamente nada.Porque eu não podia explicar. Como eu diria para uma humana que uma criatura ancestral dentro de mim havia acabado de reconhecê-la como companheira? Ela fugiria, ou pior: pensaria que eu era louco. O homem atrás dela se aproximou lentamente, e meu corpo inteiro reagiu instantaneamente. A ameaça veio antes mesmo do pensamento racional.
"Vampiro."
Kaos rosnou dentro da minha mente. Meu olhar encontrou o dele: frio, calculado e faminto. Ele ainda mantinha a postura elegante e impecável, mas eu conhecia aquele homem há séculos, tempo suficiente para reconhecer o que existia escondido sob a superfície: interesse. Perigoso interesse.
[DESCONHECIDO — Falando com Ethan]
— Você está assustando a jornalista, Ethan.Ignorei o tom provocativo e continuei olhando apenas para ela. Os olhos verdes da moça estavam cheios de perguntas agora, exibindo confusão, desconfiança e curiosidade. Curiosidade matava humanos rápido demais no nosso mundo.
[ETHAN VANCE — Encarando o rival]
— O que você quer, Julian?O oponente ergueu uma sobrancelha elegante.
[JULIAN MCCORD — Provocando] (Nota: Identificado após Ethan chamá-lo pelo nome)
— Neste momento? Honestamente? Estou apenas apreciando a situação.Mentiroso. Julian nunca observava nada sem motivo, especialmente não quando o cheiro de sangue humano e vínculo sobrenatural começava a preencher o ambiente.
"Companheira nervosa."
Kaos percebeu antes mesmo de mim. A respiração dela havia mudado e os batimentos cardíacos aceleraram. Meu corpo inteiro respondeu automaticamente através de uma proteção que era instinto puro. A jornalista olhou entre nós dois. Ela ainda não entendia, mas começava a perceber que existia algo profundamente errado naquela conversa.
Então aconteceu. O cheiro de sangue atravessou o salão, fraco e recente. Virei imediatamente a cabeça e vi que um dos garçons havia cortado discretamente a mão enquanto trocava taças numa bandeja. O corte era pequeno, mas suficiente. O inimigo percebeu no mesmo instante e seus olhos vermelhos escureceram discretamente. Droga, o vampiro estava com fome, e a jornalista estava perto demais. Me movi automaticamente para a frente dela. Ela percebeu imediatamente.
[CLARA MARTINS — Assustada]
— O que está acontecendo?O predador fechou os olhos por um breve segundo antes de recuperar o controle, mas por pouco.
[JULIAN MCCORD — Suave]
— Nada que precise preocupá-la.Mentira. Conhecia vampiros bem demais para acreditar naquele tom calmo. Então Clara deixou a taça escapar. O vidro atingiu o chão com força, espalhando cacos próximos aos pés dela. Antes que pudesse pensar, segurei o pulso dela: quente. O toque atravessou meu corpo inteiro como fogo.
"Companheira."
Kaos praticamente rugiu dentro da minha mente. A moça ficou imóvel por um segundo, com a respiração presa. Meu corpo inteiro reagiu ao cheiro dela tão perto. Então senti: sangue. Uma gota pequena surgiu no dedo dela, e meu mundo inteiro ficou perigosamente silencioso.
"Companheira ferida."
Kaos avançou dentro da minha mente imediatamente. Meu controle vacilou; senti as garras tentando surgir sob a pele, os olhos queimando e o instinto tomando espaço demais. Não machucar. Proteger. Respirei fundo lentamente.
[CLARA MARTINS — Olhando para Ethan]
— Ethan…?Piscar. Respirar. Controle. Soltei o braço dela abruptamente antes que Kaos assumisse espaço demais.
[ETHAN VANCE — Rouco]
— Você está ferida.Ela olhou para o próprio dedo.
[CLARA MARTINS — Minimizando]
— É só um corte pequeno.Mas não era apenas isso. Sangue de companheira mudava tudo para um Lycan, principalmente para um Alfa. O aristocrata soltou uma risada baixa atrás de nós. Quando olhei para ele, os olhos vermelhos estavam presos na gota de sangue no dedo dela, e pela primeira vez naquela noite o sorriso elegante desapareceu. Meu corpo inteiro ficou rígido. A fome vampírica havia aparecido. Instantaneamente me coloquei na frente de Clara, protetor e possessivo. Meu instinto não se importava mais em esconder.
"Companheira nossa."
Kaos parecia perigosamente próximo de perder o controle.
[ETHAN VANCE — Ordenando]
— Clara, vá lavar esse corte.[CLARA MARTINS — Relutante]
— Você está falando sério?[ETHAN VANCE — Firme]
— Sim.A resposta saiu rápida demais. Ela olhou entre nós dois novamente, confusa, desconfiada e assustada. Ótimo, assustada significava cautelosa, e cautela mantinha humanos vivos. Ela se afastou lentamente pelo salão. Esperei até que desaparecesse entre os convidados antes de voltar minha atenção completamente para Julian. O vampiro sorriu de lado, lento e calculado.
[JULIAN MCCORD — Provocando Ethan]
— Companheira, Ethan?Meu sangue gelou. Droga, ele sabia, ou pelo menos suspeitava.
"Matar vampiro."
Kaos rosnou violentamente dentro da minha mente. Ignorei o impulso. Por enquanto.







