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Capítulo 3 - Uma Chance, Um Gole e Um Erro Que Não Me Define

Lorena Azevedo

Estava varrendo a cozinha da Tati, enquanto Miguel assistia um desenho na sala, quando o celular tocou.

Vibrou uma, duas, três vezes.

Peguei o aparelho com medo. Era número desconhecido.

Coração disparou.

Atendi.

— Alô?

— Lorena Azevedo?

— Sim, sou eu. Quem fala?

— É a Marta. Da cafeteria onde você deixou o currículo hoje de manhã. Você tem um minutinho?

O mundo parou. Literalmente.

Olhei pro chão. Olhei pra vassoura. Olhei pra Miguel.

E meu peito se apertou.

— Claro! Tenho sim!

— Então... eu sei que o mercado tá difícil, mas tem uma vaga aberta pra atendente. A pessoa que tava comigo pediu demissão agora à tarde. É uma loucura, eu sei, mas... lembrei de você. Da forma como me olhou. Como falou. Você precisava. E, olha, às vezes a gente precisa dar uma chance pra quem quer muito trabalhar. O que você acha?

Eu engoli em seco.

— Eu... eu aceito! Eu aceito sim, dona Marta! Muito obrigada. Nossa... muito obrigada mesmo!

— Pode vir amanhã às oito? A gente acerta tudo pessoalmente.

— Estarei lá.

— Ótimo. Traz seus documentos. E Lorena...

— Sim?

— Erga essa cabeça. Você tem jeito de quem já caiu muito. Mas também tem força de quem sabe levantar.

Desliguei.

Fiquei ali. Em pé. Com a vassoura parada. Os olhos marejando.

Eu consegui.

Uma chance.

Uma porta.

Uma luz.

Depois de tanto não... finalmente, um sim.

— MÃÃÃE! Tá tudo bem? — Miguel correu até mim, me olhando assustado.

Me abaixei, abracei ele com força e sorri.

— Tá tudo bem agora, filho. A mamãe conseguiu um trabalho.

Ele abriu um sorriso enorme e começou a bater palmas, pulando.

— Sério? Então a gente vai ter nossa casa de novo?

— Logo, logo, meu amor. Mas por enquanto... vamos comemorar com brigadeiro!

Ele gritou um "Obaaaaa" e saiu correndo pra pegar a colher.

Eu ri. Chorei. Ri de novo.

Era só um emprego. Mas pra mim... era recomeço.

Mais tarde...

Tati entrou no quarto com duas roupas nas mãos, um sorriso malicioso e olhos brilhando.

— Hoje a gente comemora, meu bem!

— Com brigadeiro, já comemorei com o Miguel — respondi, ainda abraçada no travesseiro.

— Brigadeiro é ótimo. Mas o que você precisa é de uma bebida forte, uma música alta e alguém que te olhe como se você fosse feita de pecado.

— Tati...

— Lorena, por favor! Só hoje. Só essa noite. Você não precisa fazer nada, só... se permitir. Dançar. Rir. Esquecer um pouco da merda que foi tua vida nos últimos três anos.

— Eu tenho que acordar cedo amanhã. Começo no trabalho novo às oito.

— E vai acordar linda e plena, com história pra contar. Eu te juro. Vai ser leve. Só nós. Só risada. E, quem sabe... um pouco de diversão.

Você merece se sentir viva, amiga.

Suspirei.

A vontade de dizer não era grande. Mas a vontade de esquecer a dor... era maior.

— Eu ainda carrego culpa, Tati. Você sabe.

Eu destruí meu casamento.

Ela sentou do meu lado, pegou minha mão.

— Você conversou com outro homem, Lorena. Conversou. Porque o Paulo te tratava como invisível. Como móvel de casa.

Você procurou afeto. E ele usou isso pra te punir por três anos.

A culpa não é só sua. E mesmo que fosse... você já pagou. Já sangrou. Já se arrastou.

Agora é hora de viver.

De recomeçar.

Olhei nos olhos dela.

Aquela mulher louca que largaria tudo por mim se eu pedisse.

Que me acolheu com filho e tudo.

Que não me julgou.

— Tá bom.

— Eu vou.

— AAAAAMOOOOOOO! — ela gritou, se jogando em cima de mim. — Tu vai sair do luto e entrar no deboche! Vou te deixar tão gata que até o garçom vai pedir teu número!

Rimos juntas.

E ali, entre rímel emprestado, perfume barato e um vestido da minha amiga justo demais, eu comecei a lembrar que existe vida além da dor.

Mal sabia eu que, naquela noite...

meu passado ia arder.

E meu futuro... ia me morder.

Com voz grossa, olhar de bicho e mãos grandes.

(***)

O salto apertava um pouco, mas quem se importava?

O vestido preto justo na medida certa, com um decote discreto mas mortal, marcava minha cintura e deixava minhas pernas mais longas do que realmente eram. A maquiagem leve realçava meus olhos, mas era o batom vermelho que dizia por mim:

"Hoje eu quero viver."

Tati me olhou de cima a baixo quando saí do quarto.

— Lorena... você tá simplesmente... uma ameaça pública.

— Você acha?

— Acho que se eu fosse homem, já tava ajoelhada pedindo tua mão... ou, pelo menos, outra coisa.

Rimos juntas.

Descemos as escadas do prédio como duas adolescentes prestes a fazer besteira.

Tati já narrava como ia ser a noite, e eu fingia que estava tranquila.

Mas por dentro... meu coração batia mais do que o som da música que vazava pela rua.

A boate era uma daquelas que misturava luxo com decadência. Luz baixa, cheiro de bebida cara misturada com perfume doce e batida eletrônica tremendo o chão.

Assim que entramos, fomos direto pro bar.

— Dois shots de tequila, por favor — Tati disse, animada.

— Tati, eu não sei...

— Shhh! Você vai beber, dançar, rir, dar risada de bêbada e esquecer o nome do Paulo por pelo menos cinco horas. Fechado?

— Fechado.

Tomamos o primeiro. Depois o segundo.

Pedimos um drink colorido que vinha com um guarda-chuvinha idiota.

Depois veio a cerveja.

Depois, a risada solta.

Depois... a culpa foi ficando pequenininha.

— Você precisa parar de se sentir suja — Tati disse, já com os olhos meio marejados de álcool. — Você não matou ninguém. Só quis se sentir viva.

— Mas eu destruí minha família...

— Não. Ele destruiu quando escolheu punir você ao invés de tentar entender.

— Você quer saber o que você é, Lorena?

— O quê?

— Uma mulher do caralho. Uma mãe foda. Uma guerreira. E um tesão dos infernos.

Eu ri. Baixei a cabeça. Senti as bochechas corarem.

— Vai ao banheiro, lava o rosto e olha no espelho. E quando voltar... volta pronta pra viver.

Porque você merece isso.

Levantei, rindo. Um pouco zonza. Um pouco leve.

Mas muito mais livre do que estive nos últimos anos.

E foi aí que tudo começou.

O corredor pro banheiro era escuro, com luzes piscando em neon vermelho.

Eu virei rápido demais uma curva e...

PAFT!

Bati em algo duro.

Algo muito... sólido.

Dei um passo pra trás, ajeitei o vestido e ergui o rosto.

O que vi me fez esquecer como se respira.

Um homem.

Mas não qualquer um.

Um colosso.

Alto. Forte. Ombros largos. Camisa social preta semiaberta, revelando parte do peito bronzeado e salpicado de pelos.

Braços tatuados. Mandíbula marcada.

E olhos... meu Deus, aqueles olhos.

Negros. Profundos. Selvagens.

— Olha por onde anda — ele disse, com a voz muito grave, rouca e grossa o suficiente pra derreter meu batom.

Por um instante, eu fiquei muda.

Depois, talvez por impulso. Talvez por álcool.

Talvez por Tati na minha cabeça repetindo:

"Você é um tesão dos infernos."

Eu... sorri.

— Aprende a não ocupar tanto espaço— respondi, sem saber de onde tirei aquela ousadia.

Ele arqueou uma sobrancelha. O olhar ficou mais escuro.

— Aí eu vou dizer que tá brincando com coisa perigosa.

Me aproximei mais.

Senti o cheiro dele. Amadeirado, quente, quase animal.

Minha mão... foi por conta própria.

Deslizei os dedos sobre o peitoral dele, sentindo os músculos rígidos sob a camisa.

Ele não se mexeu. Só ficou ali. Olhando. Com os olhos em brasa.

— Gosto de perigo... — sussurrei.

Meus dedos desceram mais. Pela barriga firme. Pelo cinto.

Parei pouco antes de onde a coisa toda claramente começava a reagir.

A respiração dele pesou.

Os olhos baixaram pro meu decote. Voltaram pros meus lábios vermelhos.

E ele disse, com a voz arrastada:

— Se continuar com essa mão aí...

vou te arrastar comigo pro inferno.

E lá não tem como pedir pra parar.

Senti um arrepio subir pela espinha.

E sorri.

Porque, naquele momento, eu queria que ele me queimasse inteira.

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