Mundo de ficçãoIniciar sessãoRafael Ventura
Eu não devia estar ali.
Esse não era o meu mundo.Luzes piscando, música insuportável, cheiro de perfume doce demais e gente se esfregando como se o fim do mundo fosse amanhã.
Mas eu precisava de silêncio por dentro.
E às vezes, pra calar a cabeça... o corpo tem que gritar.Pedi um uísque duplo no bar, ignorei as mulheres se oferecendo com o olhar e fui pro fundo do lugar, onde o som era menos estúpido e o povo menos carente.
E foi aí que ela me atingiu.
Não vi de onde veio.
Só senti o baque.Olhei.
E meu mundo virou o próprio inferno.Uma mulher.
Linda. Com um vestido preto grudado no corpo como se tivesse sido costurado com pecado.O salto dela bateu no chão como aviso.
A maquiagem era leve. Mas o batom vermelho...Aquilo era um convite ao erro.E o olhar...
Jesus do céu.Olhar de mulher que já apanhou da vida, mas que se recusa a ser fraca.
Olhar de quem desafia, mesmo com medo. De quem sente culpa, mas quer se libertar dela com cada gota de álcool.— Olha por onde anda — soltei, seco, rouco, já com o sangue fervendo.
Ela me olhou como se eu fosse nada.
Ou tudo.E sorriu.
A porra de um sorriso que não devia ser permitido em público.
— Aprende a não ocupar tanto espaço — respondeu, com ousadia.
Minha nuca arrepiou.
Eu não sou de me impressionar fácil. Não caio em joguinho. Mas essa mulher... Tinha um jeito de falar que fazia meu pau responder antes da minha cabeça entender.Ela se aproximou.
Deslizou a mão pelo meu peito como se eu fosse brinquedo novo.— Gosto de perigo... — disse, baixinho, com a boca quase roçando meu maxilar.
Minha respiração travou.
Os olhos dela desceram. E a mão também.Porra.
A desgraçada teve a audácia de descer os dedos pela minha barriga, até quase tocar meu cinto.
E o pior?Eu deixei.
Ela parou antes de encostar.
Mas meu corpo já tinha reagido. A calça já estava justa demais.Tomei o controle de volta.
Segurei o pulso dela com firmeza, sem machucar, mas deixando claro que a brincadeira tava pra virar incêndio.— Se continuar com essa mão aí...
vou te arrastar comigo pro inferno. E lá, boneca, não tem botão de pausa.Ela mordeu o lábio.
E não desviou o olhar.— Quem disse que eu quero fugir do fogo?
PUTA. QUE. PARIU.
Essa mulher não era normal.
Não era uma qualquer.Ela era o tipo de erro que faz homem mudar de rota.
O tipo de vício que começa com um gole e termina em overdose.Mas eu ainda era Rafael Ventura.
O ogro que não se apega. O homem que fode e vai embora antes do sol nascer.E se ela queria brincar com fogo...
Eu ia mostrar o que era pegar fogo por dentro.
Cheguei mais perto. O corpo dela roçou no meu.
O calor da pele. O perfume doce misturado com álcool. Ela piscou. Eu sorri de canto.— Qual o seu nome?
— Pra quê?
— Pra eu saber o que vou gemer quando você estiver de quatro.
Ela riu. Um riso debochado, bêbado, sexy.
— Talvez eu nem diga.
— Ótimo. Eu gosto de mistério.
Mas aviso logo: quando eu gosto de um brinquedo... eu uso até quebrar.Os olhos dela piscaram diferente.
Tinha medo. Tinha tesão. Tinha raiva do mundo.E tudo isso me deu fome.Peguei a mão dela.
Levei aos meus lábios. Beijei com a ponta da língua provocando. Olhei nos olhos.— Vem comigo.
Uma noite. Sem passado. Sem amanhã. Só eu, você... e o inferno que a gente vai criar.Ela hesitou.
Por um segundo.
Dois.Depois...
Ela deu um passo.E eu soube:
A partir daqui, nada seria igual. Nem eu. Nem ela. Nem o mundo.
(***)
A mão dela ainda tava na minha, mas foi o olhar que me incendiou.
Porra...
Aquela mulher me encarava como se soubesse exatamente o que queria fazer com a minha boca, com a minha pele, com o meu corpo.E eu?
Eu tava pronto pra entregar cada centímetro.Ela deu mais um passo.
Ficamos cara a cara. O som da boate virou ruído distante.E então...
Ela me beijou.
Sem aviso. Sem medo. Sem hesitação.
Me. Beijou.
Um beijo quente, desesperado, faminto.
A boca dela era quente.
A língua sabia dançar. Os lábios pressionavam os meus como se eu fosse o ar que ela precisava.Segurei a cintura dela com força, puxei pra mais perto.
O corpo colou no meu. O quadril roçou onde já doía. E meu juízo... foi embora junto com a respiração.— Caralho... — murmurei entre beijos. — Você beija como quem tá morrendo.
Ela sorriu contra minha boca.
— E você beija como quem quer me matar.
— Talvez eu queira mesmo.
Passei a mão pela nuca dela, puxando devagar.
Afastei a boca, encarei aqueles olhos vermelhos de batom borrado.— Vem comigo.
— Pra onde?
— Pra um lugar onde ninguém vai te julgar por gozar alto demais.
Ela mordeu o lábio.
— Só se você prometer que não vai parar no meio.
Sorri torto.
— Eu nunca paro no meio.
Peguei sua mão com força.
Saímos da boate como dois fugitivos do juízo. Chamei um carro. Dei o nome do hotel de luxo mais próximo. No banco de trás, ela encostou a cabeça no meu ombro. Mas os olhos... não fecharam um segundo. Ela me queria tanto quanto eu queria ela.E eu juro por Deus...
Ninguém nunca me olhou daquele jeito.Quarto 807 – Hotel Bella Luna – 01:23 da madrugada
Assim que a porta do quarto se fechou, ela se virou.
Sem dizer nada.
Sem rodeio.Começou a tirar a minha camisa.
Com pressa.
Com desejo. Com fome.Os dedos deslizaram pelos botões, puxando com tanta força que um voou longe.
— Porra... — murmurei, rindo. — Tá com pressa, boneca?
— Estou com tesão.
Soltei um grunhido baixo.
Ela abriu a camisa, empurrou pelos meus ombros. Os olhos dela brilharam quando viram meu peito. Como se eu fosse a resposta pra toda dor dela.— Agora é minha vez — eu disse.
Levei a mão até o zíper do vestido.
Devagar. Saboreando cada milímetro da pele que se revelava.Desci o tecido até os joelhos.
Ela ficou ali, de calcinha preta, sem sutiã, com os seios duros, os mamilos eriçados, e um olhar de quem não tem mais nada a perder.Encostei as costas dela na parede.
— Isso aqui... vai ser sem pudor.
Sem vergonha. Sem pausa.Ela puxou meu rosto pra perto.
— Então cala a boca e me fode logo.
E foi aí...
Que eu descobri que a noite ia acabar comigo.






