Início / Romance / "Segredos Ardentes": Um fazendeiro proibido / Capítulo 8- Café, Vergonha e a Maldita Boca que Não Sai da Minha Cabeça
Capítulo 8- Café, Vergonha e a Maldita Boca que Não Sai da Minha Cabeça

Lorena Azevedo

A porta mal tinha fechado atrás de mim, e a Tati já tava plantada na cozinha, de braços cruzados e cara de quem viu o diabo passando de vestido justo.

— Onde você se meteu ontem na boate, hein?! — ela começou, com a voz já em modo escândalo. — Você saiu pra ir no banheiro e NÃO VOLTOU! Me deixou sozinha lá no meio daquele monte de gente bêbada, música alta, homem se esfregando, e agora volta SEIS DA MANHÃ?!

— Tati...

— NÃO ME DIGA QUE FOI TRANSAR... — ela apertou os olhos, apontando o dedo como se estivesse prestes a me exorcizar. — Tu transou, Lorena? TU. TRANSOU.

Eu respirei fundo.

E me preparei pra confissão mais suada e safada da minha vida.

Sentei.

Passei a mão no cabelo e confessei:

— Eu transei com um cara.

— Com quantos?

— Um.

— Mas parecia três pela tua cara. COMO FOI?

— Foi... intenso.

— Intenso tipo o quê? Selinho e abraço ou soco na parede e puxada de cabelo?

Abaixei o rosto.

Ela arregalou os olhos.

— NÃO! LORENA DO CÉU!

— Tati...

— Quem era esse homem? Pelo amor de Deus, me dá um nome!

— Rafael. Rafael Ventura.

Tati arregalou tanto os olhos que achei que iam pular da cara.

— RAFAEL VENTURA???

— É. Por quê?

— LORENA, PELO AMOR DE DEUS, esse nome não te soa familiar?

— Só me soou gostoso quando ele gemeu na minha nuca. Por quê?

— Rafael Ventura é o fazendeiro mais rico do Brasil! O dono das terras de meio estado! O ogro do cerrado! O bilionário que odeia a cidade e anda de cavalo como se tivesse nascido no lombo de um!

Travei.

Pisquei.

— Não...

— SIM!

— Tati, esse homem usava jeans rasgado e camisa aberta. Não parecia bilionário. Parecia... pecado.

— Amiga... pecado é o sobrenome dele.

E agora tu me explica: como é que tu foi parar na cama DO HOMEM MAIS PERIGOSAMENTE GOSTOSO DO PAÍS e não pediu nem uma selfie?!

— Porque eu tava ocupada...

— Ah, não, não termina essa frase, senão eu gozo no teu lugar!

Ela gritou. Eu ri. Depois tapei o rosto.

— Eu fui louca. Não sei o que me deu. Eu nem contei meu nome pra ele.

— Não acredito, que você não disse o seu nome?

— Não. E mesmo que disse, acho que não lembraria. Homem como ele não lembra de mulher como eu.

— Cala essa boca, Lorena!

— É verdade, Tati. Olha pra mim. Mãe solteira, que estragou o próprio casamento, sem glamour. Ele deve viver cercado de mulher feita à base de bisturi, salto e grana. Eu fui só...

uma noite.

Ela se calou. Me olhou com carinho.

Mas não disse nada.

Levantei, fui até o fogão e comecei a preparar café.

Enquanto o pó fervia, encostei na pia e respirei fundo.

O cheiro de café não disfarçava o cheiro dele na minha pele.

Amadeirado. Quente. Masculino.

Um castigo.

— Só sei que o cheiro de homem é um castigo — murmurei.

— Um castigo bom, né? — Tati riu.

— Um castigo que eu nunca mais vou repetir. Graças a Deus.

08:00 – Primeiro dia de trabalho

Cheguei na cafeteria de camisa branca, calça preta e cabelo preso num coque improvisado.

A dona, Marta, me recebeu com um sorriso:

— Bem-vinda, Lorena. Hoje começa teu recomeço.

— Obrigada.

De verdade.

E foi.

O dia foi leve.

Atendi gente, servi café, limpei mesa, sorri até doer.

Aos poucos, fui lembrando que eu podia ser útil, capaz, viva.

E não só... desejável.

Mas, vez ou outra...

A imagem voltava.

A boca dele nos meus seios.

A voz rouca no meu ouvido.

Os olhos em brasa.

O corpo pressionando o meu.

Balançava a cabeça.

Fechava os olhos.

"Foi só uma noite."

"Ele não sabe seu nome."

"Nunca mais vai te ver."

E ainda que uma parte de mim desejasse o contrário...

eu repeti até acreditar:

— Homens como ele não transariam de novo com mulheres como eu.

Mas o destino...

Ah, o destino adora rir da nossa cara.

(***)

Voltei pra casa quase sete da noite.

O corpo parecia ter passado por um trator.

As pernas doíam, os pés latejavam, os ombros estavam tensionados como se eu tivesse carregado o mundo nas costas — e, de certa forma, eu tinha mesmo.

Mas apesar do cansaço, eu entrei com um leve sorriso nos lábios.

Não era só o alívio de um dia terminado.

Era orgulho.

Eu tinha dado conta.

Sozinha.

Sem homem.

Sem ajuda.

Sem desabar.

Tati estava na sala, jogada no sofá vendo novela, e Miguel veio correndo assim que me viu.

— MAMÃE! — ele gritou, pulando no meu colo.

— Meu amor... — abracei ele com força. — Que saudade da sua carinha!

— A Tati fez arroz com salsicha. Eu comi dois pratos!

— Você é um comilão! — ri, beijando sua testa suada.

Me joguei no sofá, com ele ainda agarrado em mim, e fechei os olhos por um instante.

Aquele abraço...

Aquele corpinho pequeno colado no meu...

Era tudo o que eu precisava pra lembrar do meu propósito.

Recomeçar por ele.

Ser forte por ele.

Respirar por ele.

Depois de alguns minutos de silêncio, com Miguel deitado no meu colo e Tati me olhando com aquela cara de "te avisei que tu ia sobreviver", eu levantei com esforço e fui direto pro banheiro.

Tirei a roupa devagar.

Cada peça grudada no corpo de tanto suor.

Abri o chuveiro e deixei a água quente cair nas costas.

Fechei os olhos.

Suspirei.

E aí...

Ela voltou.

A lembrança.

Bruta.

Quente.

Deliciosamente imprópria.

A boca dele no meu pescoço.

As mãos no meu quadril.

A respiração rouca no meu ouvido.

"Se continuar com essa mão aí, vou te arrastar pro inferno."

Arfei.

As mãos dele segurando meus cabelos enquanto eu o engolia inteiro.

"Mulher como você devia ser proibida."

Mordi o lábio, mesmo sozinha.

Me apoiei na parede do box.

Fechei as pernas.

O calor subiu por dentro.

— Merda... — sussurrei. — Isso foi só uma noite. Só uma loucura.

Mas meu corpo não entendia isso.

Minha pele lembrava.

Minha boca sentia.

Meu centro latejava.

Me agarrei à toalha como se ela pudesse proteger da memória que queimava.

Ele não sabe meu nome.

E graças a Deus por isso.

Porque se aquele homem soubesse onde me achar...

eu ia me perder de novo.

E de novo.

E de novo.

E isso...

era tudo o que eu não podia permitir.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App