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Capítulo 9 - O Cheiro de Homem que Ela Odeia (E Que Outra Amou)

Rafael Ventura

O sol estava rachando.

A camisa já encharcada.

A bota afundando na lama.

E eu tentando consertar a porra de um cano quebrado perto da cocheira antes que inundasse metade do galpão.

Mais um dia na fazenda.

Mais suor.

Mais serviço.

Mais tudo que me mantinha longe da cidade e do caos.

Pelo menos aqui, eu tinha paz.

Ou achava que tinha.

Até escutar a voz estridente que fazia minha nuca arrepiar — e não era de tesão.

— Rafael!

— Que porra... — resmunguei, erguendo o olhar.

Lá estava ela.

Melissa.

Vestido branco justinho, salto fino atolando na lama, óculos escuros Chanel e uma cara de nojo como se tivesse entrado num chiqueiro.

— Que merda você tá fazendo enfiado aí, Rafael?

— Trabalhando. O que mais parece?

Ela tapou o nariz, franzindo a testa.

— Credo! Você tá **ensopado de suor, com cheiro de mato, de cavalo, de... de bicho! Olha pra você, tá imundo!

Meus olhos estreitaram.

A paciência, já pouca, evaporou.

— Esse cheiro aqui é de quem bota comida nessa mesa.

De quem sustenta essa fazenda.

De quem não vive de filtro do I*******m e saladinha sem sal.

Ela revirou os olhos e cruzou os braços:

— Não precisava falar grosso, Rafael. Só tô dizendo que você podia pelo menos tomar um banho antes de me receber.

— Não pedi visita.

— Sou sua noiva.

— É?

— Sou, ué.

— Pois tá agindo como fiscal sanitária.

Ela fez uma careta, segurando a bolsa como se fosse escudo.

— Vai tomar banho. Por favor. Nem consigo te abraçar assim.

— Ótimo.

Porque eu não quero abraço.

Ela arregalou os olhos.

— O que tá acontecendo com você, Rafael?

— Nada. Tô do mesmo jeito de sempre. Só mais cansado.

Mais sujo.

Mais irritado.

E com cada vez menos saco pra esse teatrinho de casal perfeito que nunca existiu.

Ela bufou.

— Você tem obrigação de me tratar bem.

— Eu não tenho obrigação de porra nenhuma, Melissa.

Quer que eu vá tomar banho? Beleza. Vou.

Mas não é pra você.

É pra mim. Porque até meu suor tem mais dignidade do que essa tua arrogância.

Ela arregalou os olhos, chocada, mas não teve resposta.

Virei as costas e fui em direção à sede.

Tirei a camisa suada no caminho.

Lama escorrendo na pele.

Pulso latejando de raiva.

Mas sabe o que era pior?

Enquanto a Melissa falava merda...

eu só conseguia pensar naquela outra mulher.

Na que me cheirou suado.

Me lambeu suado.

Gemendo que meu cheiro era um castigo gostoso.

E de repente...

eu não queria só banho.

Eu queria esquecer.

Mas o corpo não deixava.

(***)

A água do banho escorria ainda quente quando saí do box.

Me enrolei na toalha, passei a mão nos cabelos molhados e olhei meu reflexo no espelho embaçado.

O rosto cansado.

A mandíbula travada.

O corpo marcado por horas de lida e por uma noite que ainda queimava na memória.

Aquela mulher.

A boca dela.

O jeito que gemeu meu nome sem nem se importar com o meu sobrenome.

Fechei os olhos.

Tentei afastar.

Falhei.

Saí do banheiro.

A porta do quarto tava entreaberta.

E ela entrou. Melissa.

Saltos batendo no piso.

Perfume forte.

Vestido justo.

E uma cara que misturava superioridade com carência.

— Agora sim — ela disse, se aproximando com um sorrisinho. — Com cheiro de homem civilizado, e não daquele bicho do mato que eu encontrei lá fora.

Fiquei em silêncio, parado no meio do quarto, só com a toalha na cintura.

Ela parou na minha frente.

Subiu as mãos pelo meu peitoral ainda úmido.

Deslizou os dedos devagar, provocando.

Se encostou em mim.

— Sabe que eu adoro esse seu corpo bruto, né? — ela sussurrou. — Mas assim, limpo, cheiroso... dá até mais vontade.

Inclinei o rosto pra ela, bem perto da boca, os olhos cravados nos dela.

E soltei:

— Engraçado...

porque quando eu tô te fodendo como um bicho do mato, você não reclama, né, Melissa?

Ela travou.

O sorriso congelou.

— Você geme, grita, arranha minhas costas...

Me pede mais forte, mais fundo, mais selvagem.

Mas basta eu suar na fazenda, e você faz cara de nojo.

Ela recuou meio passo, mas manteve a pose.

— Eu só acho que você podia equilibrar. Ser bruto quando transa, mas apresentável no resto do tempo.

— E eu acho que você podia parar de querer me mudar pra caber no seu mundinho de plástico.

Me afastei.

Fui até a cômoda, peguei uma cueca e uma calça jeans e vesti com pressa.

Nem olhei pra ela.

— Rafael... eu só quero que a gente se dê bem.

— A gente nunca vai se dar bem, Melissa.

— Por quê?

Virei de frente.

Cruzei os braços.

E soltei, seco:

— Porque você quer me podar.

E eu sou raiz.

Ela engoliu seco.

Me encarou com aqueles olhos que fingem entender, mas não aceitam.

— Você ainda pensa nela, né? Naquela que te traiu.

— Eu penso em muitas coisas, Melissa. Mas a única que eu tô pensando agora... é que essa conversa já me deu dor de cabeça.

Peguei a chave do carro, a carteira, e fui em direção à porta.

Ela ficou parada, ainda no quarto, olhando como quem perdeu a discussão e a pose.

— Aonde você vai agora?

— Resolver coisas da fazenda.

— Na cidade?

— É.

— E volta quando?

— Quando der vontade.

Fechei a porta sem olhar pra trás.

Mas no fundo, eu sabia.

Tava indo pra cidade por outro motivo.

Ou melhor... por outro cheiro.

Outro gosto.

Outro corpo.

E o destino ia me ajudar a reencontrar o erro mais delicioso da minha vida.

(***)

A estrada de terra deu lugar ao asfalto quente da cidade.

Estacionei a caminhonete velha num canto da praça principal e saí com o boné afundado na cabeça.

O plano?

Resolver a treta com o fornecedor da ração e depois tomar um café.

Mas não qualquer café.

Naquela cafeteria.

A que a cidade inteira elogiava.

A que eu nunca entrei.

A que, por alguma razão, me puxava.

Talvez por intuição.

Talvez por esperança idiota de ver um rastro da mulher da boate.

Ou talvez por burrice.

Mas quando já tava atravessando a rua, pronto pra abrir a porta de vidro espelhada, ouvi:

— Ventura! Ô, Ventura!

Olhei pro lado.

Eduardo Muniz.

Filho de fazendeiro, enfiado em gravata, agora dono de uma empresa de fertilizante novo que ele jurava que ia salvar o mundo.

— Caralho, homem, quanto tempo! Tá com tempo pra tomar uma?

Olhei pra cafeteria.

Depois pra ele.

Depois pra porra da vida que não colabora.

— Tenho, sim.

E fui.

Me afastei da porta.

Da chance.

Do talvez.

Do destino.

Algumas horas depois...

Voltei pra fazenda já tarde.

A estrada parecia maior à noite.

As luzes da sede acesas.

Cansado.

De saco cheio.

Com o gosto amargo de quem esperava algo e voltou de mãos vazias.

Estacionei.

Entrei.

Tirei a bota.

Subi pro quarto.

E então...

Ela estava lá.

Melissa.

Nua.

Deitada na minha cama.

Lençol branco cobrindo só uma perna.

Cabelos soltos.

Perfume forte demais.

— Surpresa — ela disse, sorrindo. — Tava com saudade.

Suspirei fundo.

Fechei a porta.

Soltei o cinto.

Fiquei ali por um segundo, parado.

A imagem da outra ainda estava na minha cabeça.

A boca da outra.

O cheiro da outra.

A pele arrepiada... da outra.

Mas o corpo...

O corpo tava em chamas.

E eu sou um homem de carne.

E às vezes, a carne fala mais alto.

Me aproximei.

Ela sorriu, se abrindo pra mim.

Deitei sobre ela.

Beijei.

Mordi.

Agarrei.

Mas não fechei os olhos.

Porque se eu fechasse...

era outra que eu ia ver.

Melissa gemia.

Rebolava.

Me puxava.

— Isso... assim, Rafael... mais... mais forte...

Eu dei.

Com força.

Com pressa.

Com raiva.

Transamos.

Mas eu não tava ali.

Não por inteiro.

Gozei sem prazer.

Sem alma.

Sem nome.

E quando virei de lado, calado, ela tentou deitar no meu peito.

Eu empurrei com o braço e fechei os olhos.

Porque tudo que eu queria...

era o corpo da mulher que me deixou no escuro.

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