Rafael Ventura
O sol estava rachando.
A camisa já encharcada.
A bota afundando na lama.
E eu tentando consertar a porra de um cano quebrado perto da cocheira antes que inundasse metade do galpão.
Mais um dia na fazenda.
Mais suor.
Mais serviço.
Mais tudo que me mantinha longe da cidade e do caos.
Pelo menos aqui, eu tinha paz.
Ou achava que tinha.
Até escutar a voz estridente que fazia minha nuca arrepiar — e não era de tesão.
— Rafael!
— Que porra... — resmunguei, erguendo o olhar.
Lá estava e