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"Segredos Ardentes": Um fazendeiro proibido
"Segredos Ardentes": Um fazendeiro proibido
Por: Mary
PRÓLOGO - Com um Filho nos Braços e o Coração em Frangalhos

Lorena Azevedo

As malas eram poucas.

Meu orgulho, nenhum.

Meu coração? Um campo de guerra abandonado.

Desci as escadas do prédio sem olhar pra trás. Não por força — por medo. Se eu olhasse, talvez voltasse. Talvez pedisse mais uma migalha de afeto pra um homem que me transformou em algo que eu mal reconhecia no espelho.

Cada degrau era um adeus a quem eu fui.

A mulher que acreditou que amor exigia sacrifício.

Que silenciou desejos.

Que aceitou desprezo como se fosse castigo merecido.

Miguel apertava minha mão como se eu fosse o mundo inteiro dele. E, naquele instante, eu era. Mesmo quebrada. Mesmo falida. Mesmo com o peito ardendo de vergonha por ter ficado tempo demais onde só existia punição.

O táxi chegou. Entrei com as malas, com meu filho e com uma vida inteira cabendo num porta-malas.

Quando o carro arrancou, o choro veio. Silencioso. Aquele choro que não pede socorro — só aceita a derrota. Apoiei a testa no vidro e deixei a cidade passar borrada pelas lágrimas.

Três anos.

Três anos sendo lembrada de um erro que nunca foi tocado, só conversado.

Três anos pagando por uma culpa que virou sentença perpétua.

Eu não traí com o corpo.

Mas traí com a carência.

Com a solidão.

Com a fome de ser vista.

E ele nunca me perdoou por isso.

O sofá da Tati era pequeno. Desconfortável. Mas tinha algo que meu casamento não tinha havia muito tempo: acolhimento.

— Aqui ninguém te julga — ela disse, jogando um cobertor sobre mim e Miguel. — Aqui você respira.

E eu respirei. Pela primeira vez em anos, dormi sem medo de acordar sendo acusada. Sem passos duros no corredor. Sem palavras afiadas me lembrando que eu era indesejada.

Mas liberdade também assusta.

Nos dias seguintes, a realidade bateu forte. Currículos ignorados. Mensagens não respondidas. O dinheiro acabando mais rápido do que minha esperança.

À noite, quando Miguel dormia, eu encarava o teto e pensava: quem eu sou agora?

Não era mais esposa.

Não era profissional.

Não era nada além de uma mulher ferida tentando não falhar com o filho.

Foi numa dessas noites que a Tati me puxou pelo braço.

— Você precisa viver, Lorena. Nem que seja por uma noite. Nem que seja só pra lembrar que ainda existe.

Eu ri. Um riso torto, sem convicção.

Mas fui.

Vestida de coragem emprestada, maquiagem leve escondendo olheiras profundas e um copo na mão pra anestesiar o medo. A música alta. As luzes confusas. Corpos que se tocavam sem culpa.

Eu fui ao banheiro respirar.

E foi ali que o mundo mudou de eixo.

Um corpo sólido demais. Um cheiro de terra, couro e perigo. Um olhar escuro que me atravessou como se eu fosse desafio — não pena.

— Olha por onde anda — ele rosnou.

— Aprende a não ocupar tanto espaço — respondi, sem saber de onde tirei aquela ousadia.

O silêncio que se seguiu foi denso. Elétrico.

Ali, naquele corredor estreito, eu não era a mulher quebrada.

E ele não era só um estranho.

Era o começo de algo errado. Intenso. Irresistível.

O que eu não sabia…

é que aquele homem carregava o próprio inferno nos ombros.

E que, ao cruzar meu caminho, nenhum de nós sairia ileso.

Porque quando o fogo encontra gasolina…

não sobra nada em pé.

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