Mundo ficciónIniciar sesiónAyla Morgan sempre foi diferente. Órfã desde os sete anos, ela carrega um mistério que nem ela mesma compreende: por que sua mente é um santuário impenetrável? Por que sua presença desperta tanto fascínio quanto perigo? Quando Dorian Valecliff chega a Ravenmoor com sua enigmática família, Ayla se vê presa entre dois mundos que não deveria conhecer. De um lado, Kai Blackwood, seu protetor de anos, esconde segredos sobre o passado dela que podem mudar tudo. Do outro, Dorian a observa com uma intensidade perturbadora, incapaz de ler seus pensamentos pela primeira vez em quase dois séculos. Mas há algo muito maior em jogo. Forças obscuras a espreitam nas sombras, sedentas pelo que corre em suas veias. Algo que ela nem sabe que possui. Algo pelo qual estão dispostos a matar. Em uma cidade onde vampiros e lobisomens coexistem em trégua frágil, Ayla descobrirá que sua origem não é apenas um mistério — é uma maldição. E que o maior perigo pode não vir de fora, mas do próprio sangue que a mantém viva.
Leer másCinco horas haviam passado desde a última vez que olhei pela janela. A chuva caía devagar, enquanto os pingos escorriam pelo vidro do carro.
— Dormiu bem? — perguntou meu pai, olhando pelo retrovisor interno.
Olhei para ele, ainda com aquela expressão sonolenta.
Ele entendeu o recado.
— Certo. Já estamos quase chegando.
Era a quinta vez que dizia a mesma coisa, mas nunca chegávamos.
Não sei exatamente quanto tempo passou. O carro fez uma curva e, finalmente, parou.
— Chegamos.
A voz ansiosa do meu pai me contagiou. Eu também estava ansiosa para chegar à nova casa e capotar na cama.
Depois que saímos do carro, meu pai ficou admirando o lugar onde iríamos morar agora.
A casa era bonita e aconchegante para mim. E o melhor: eu não precisaria dividir o quarto com ninguém.
— Você não vai entrar? — meu pai acendeu um cigarro.
— Vou. Eu só estou olhando.
A cidade era pequena, mas confortável. Era curioso saber que o nome dela havia sido dado como “Lago Azul” por causa do lago que ficava perto de onde eu estava morando agora.
Quero muito conhecer esse famoso “Lago Azul” de perto.
— Estou entrando.
Era a primeira vez que entrava na casa nova já mobiliada. Demorou meses para trazer tudo, mas valeu a pena e cada esforço.
Subi as escadas.
Meu quarto era maior que o antigo, e minhas coisas estavam desorganizadas por causa da mudança.
Eu sabia perfeitamente que teria que arrumar tudo antes de anoitecer.
As caixas estavam cheias e pesadas. Teria que fazer tudo sozinha.
Não quero meu pai mexendo nas minhas coisas.
Depois que meu pai resolveu entrar, ele ficou organizando o primeiro andar, enquanto eu cuidava do segundo.
Demorou muito mais do que eu imaginava. Quando percebi, a noite já havia chegado e estava quase na hora do jantar.
— Helena! — chamou meu pai em voz alta. — O jantar está pronto!
Graças a Deus eu tinha um pai que sabia cozinhar.
Não demorei para descer. Meus passos foram rápidos pelas escadas, até que pulei para o chão no último degrau.
— Parece que alguém está com fome e bastante animada — comentou ele, com um sorriso no rosto.
— Confesso que estou muito animada com a cidade e com a casa nova, mas estou morrendo de fome e de sono.
Sentei-me e fechei os olhos por alguns segundos, agradecendo pela comida.
— Consegui fazer seu prato favorito — disse meu pai, observando enquanto eu olhava para cada prato sobre a mesa.
O que meu pai não faria por mim?
Ele adorava me mimar, principalmente nas condições em que estávamos.
Cogumelos com macarrão.
Meu prato favorito.
E, para acompanhar, suco de laranja natural.
— Tente dormir cedo. Amanhã de manhã você tem aula no novo colégio — disse ele, levando o garfo à boca.
— Mas já? Achei que só iria para a escola na semana que vem.
— Sim. Fiz sua matrícula antes mesmo de trazer nossas coisas. A diretora disse que, assim que chegássemos, você já poderia começar. Mesmo sendo uma sexta-feira.
No antigo colégio, existia uma maluquice entre os alunos.
“Sexta-feira todo mundo faltará.”
Era por causa das aulas de física e química. A maioria dos alunos odiava aquelas matérias.
Eu não. Gostava das aulas e não fazia questão de faltar.
— Tudo bem. Vou me deitar assim que terminar o jantar.
Depois do jantar, tomei um banho e fui me deitar. Peguei o celular por um instante para conferir o horário.
10 PM
Suspirei e respirei fundo.
Era a segunda vez que mudava de escola e a primeira vez que mudava de cidade.
“Tudo vai dar certo amanhã, Helena. Confie em você mesma.”
Meu nervosismo aumentava aos poucos, mas fiz a técnica de respiração que conhecia para tentar me acalmar.
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Na manhã seguinte.
5 AM
Me arrumei.
Nada moderno. Tudo muito simples.
Uma blusa branca.
Calça jeans.
Tênis.
Minha mochila.
Desci para tomar café da manhã.
Meu pai estava preparando ovos mexidos e bacon.
— Bom dia — falei, abrindo um sorriso gentil.
— Bom dia, flor do dia.
Ele recebeu um beijo na bochecha antes que eu fosse me sentar.
— Como se sente com o primeiro dia de aula?
Meu pai colocou os ovos e o bacon no meu prato.
— Estou ansiosa — respondi, sentindo minhas pernas tremerem um pouco.
— Faz aquela técnica de respiração que te ensinei — disse ele, dando uma piscadela.
Sorri.
Ele tinha razão. Aquela técnica sempre funcionava quando eu precisava me acalmar.
Depois de um belo café da manhã, arrumei minha mochila e entrei no carro.
Passar pelas ruas da cidade era interessante. Nunca tinha visto uma cidade tão bonita.
As pessoas pareciam ser gentis.
Quinze minutos depois, desci do veículo.
Os alunos estavam por toda parte. Alguns me olhavam como se eu fosse uma estranha.
Tecnicamente, eu era.
— Pode ficar tranquila. Não vou pedir beijinho de despedida.
Fiquei envergonhada com o comentário, mas ele apenas sorriu.
— Tchau, pai... até mais tarde — acenei.
Meu pai apenas acenou com a cabeça.
— Bom estudo, filha. Fique bem. Qualquer coisa, é só me ligar.
Sorri, e ele foi embora com um sorriso no rosto.
“Ok, Helena... escola nova, pessoas novas, vida nova.”
“Você vai se acostumar.”
Entrei com medo e, ao mesmo tempo, perdida. O colégio não era tão grande, mas, naquela multidão de pessoas, eu certamente poderia me perder.
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— Helena Morris. Está tudo certo — disse a diretora, levantando-se. — Venha comigo, senhorita.
Segui a diretora até minha sala.
Foi mais do que eu esperava.
Os alunos me receberam bem, assim como o novo professor de história.
O aperto que eu sentia por dentro diminuiu, e finalmente consegui me sentir à vontade.
Olhei pela janela.
O sol começava a surgir devagar.
Eu sei que não está sendo fácil para o papai, nem para mim. Mas tenho certeza de que vamos conseguir seguir em frente com a nova vida que teremos.
O confronto na passarela suspensa durou apenas alguns segundos, mas cada movimento carregava o peso gótico de uma era que se encerrava. Aldric avançou com um golpe linear, visando o peito de Dorian, mas o vampiro absorveu o impacto desviando a lâmina inimiga com o metal escuro de sua adaga, provocando uma chuva de faíscas que iluminou os rostos pálidos dos dois imortais.Ayla moveu-se no milésimo de segundo em que as lâminas se travaram. Ela deslizou por baixo do braço ferido de Aldric e cravou o punhal de prata de Vera diretamente na lateral do peito do Velthar, rompendo a última barreira de proteção mística que cercava o coração do arquiteto.Aldric soltou um suspiro sufocado, os olhos escuros arregalando-se diante do reflexo do metal sagrado em seu peito. O poder da linhagem dos Guardiões correu por suas veias como fogo purificador, transformando os fios cinzentos de sua magia em fumaça inerte. Ele cambaleou para trás, os pés perdendo o contato com as tábuas úmidas da passarela, e
A noite desceu sobre o distrito leste com uma névoa densa que vinha do rio, engolindo a estrutura dos moinhos abandonados em uma penumbra gótica. O som das engrenagens velhas e enferrujadas batendo contra a correnteza parecia o batimento cardíaco de um monstro agonizante. As facções de Ravenmoor moveram-se como sombras coordenadas; os lobos cobriam as Docas, os bruxos de Cael erguiam barreiras de silêncio para que os gritos não alertassem os humanos da cidade alta, e os vampiros de Selene limpavam as sentinelas do perímetro externo com a rapidez de um sopro de inverno.Dorian e Ayla lideravam a incursão pelo moinho central. O vampiro movia-se com uma precisão impecável, o ombro esquerdo completamente curado e operando em perfeita sincronia com seus movimentos. Ele não se afastava de Ayla por mais de um palmo; a presença dele era uma constante reconfortante, o frio de sua pele agindo como um contraste perfeito para o calor combativo que a proximidade com o inimigo acendia no sangue de
O retorno para o coração de Ravenmoor foi feito sob o manto cinzento de um amanhecer que insistia em não iluminar os caminhos de pedra. A tempestade finalmente se transformara em uma garoa fina e persistente, lavando o sangue e a lama dos corpos dos sobreviventes. A matilha caminhava em silêncio, flanqueando as duas figuras centrais que carregavam o peso do futuro da cidade: Kai, amparado pela solidez paternal de Reid, e Dorian, cujo ombro direito já se movia com a rigidez típica de uma regeneração acelerada, mantendo o braço esquerdo firmemente enlaçado ao redor de Ayla.A mansão dos Valecliff os recebeu com os portões escancarados. Selene e Cael aguardavam na soleira da porta de carvalho, as expressões mudando do alerta militar para o choque absoluto no segundo em que os olhos da vampira pousaram na silhueta maciça de Kai Blackwood. Cael deu dois passos à frente, as mãos já tateando os bolsos do sobretudo em busca de runas de diagnóstico, mas um aceno curto de cabeça de Ayla sinaliz
Ao comando de Aldric, os guerreiros Velthar sobreviventes começaram a recuar de forma coordenada, movendo-se de costas em direção à vegetação densa que cercava a colina. Eles não mostravam o pânico de uma facção derrotada; os movimentos eram precisos, mecânicos, como se a perda do receptáculo principal fizesse parte de uma ramificação secundária do plano do arquiteto.Reid Blackwood ergueu-se, o corpo imenso voltando a adotar a postura de um alfa caçador, as garras crescendo milimetricamente sob a pele dos dedos.— Eles não vão sair daqui vivos! — rugiu Reid, voltando-se para os lobos sobreviventes da matilha. — Matem todos! Não deixem que cheguem ao rio!— Não, Reid! Espere! — Ayla desvencilhou-se do aperto de Dorian com delicadeza, dando dois passos à frente no lamaçal. A queimação em seu peito havia mudado de frequência; a retirada de Aldric não era uma fuga por fraqueza, era uma isca. Ela conseguia sentir o solo sob suas botas tremer de forma irregular, como se a quebra do selo na
Último capítulo