Mundo de ficçãoIniciar sessãoEnquanto a professora explicava a matéria, senti alguém me cutucando nas costas. Virei-me e vi um pequeno grupo de amigos atrás de mim.
— Oi, menina. Bem-vinda à cidade.
A garota de olhos claros me olhou com uma expressão doce e gentil. Seu sorriso era simpático.
— Obrigada — sorri de volta. — Vocês são amigos?
— Somos amigos desde o primeiro ano — respondeu o garoto de boné.
— Ei, você pode ficar com a gente no intervalo. Vai ser divertido contar para você as coisas que rolam na cidade — falou a outra garota.
Não entendi o que ela quis dizer com “as coisas que rolam na cidade”.
— Como assim?
Será que acontecia alguma coisa que meu pai e eu não sabíamos? Ou aquilo era apenas coisa de pessoas brincalhonas?
Duas aulas se passaram.
TRIIIIIIIIIM!
— Não esqueçam de me mostrar o caderno na próxima aula — disse a professora, encerrando a aula.
Guardei minhas coisas embaixo da carteira, mas as meninas que sentavam atrás de mim logo me pegaram pelo braço e me fizeram segui-las.
Confesso que foi muito rápido. Eu tinha acabado de fazer aquelas amizades e ainda não sabia como aquilo tinha acontecido.
O refeitório estava cheio de alunos conversando, fofocando e brincando.
Eles me levaram até o pátio do colégio.
— Vou pegar alguma coisa para a gente comer. Vocês querem o quê? — perguntou o garoto.
— O de sempre. Traz alguma coisa gostosa para ela.
— Tipo o quê? — perguntou ele, cruzando os braços.
Ele olhou para mim, e eu olhei para ele, sem saber o que dizer.
— Me surpreenda — falei, sorrindo de nervosismo.
Enquanto o garoto se afastava, as duas garotas ficaram comigo.
— Desculpa. A gente gosta de conhecer pessoas novas, mas ninguém aparecia. Todos esses alunos que você está vendo, conhecemos a maioria, e os outros conhecemos apenas de vista — disse a garota de olhos claros.
— Meu nome é Camilla. Essa é a Melissa e esse é o Carlos — disse ela novamente, apontando para os amigos.
— Prazer em conhecer vocês. Meu nome é Helena. Meu pai e eu acabamos de nos mudar. Ontem — falei, pegando a caixinha de suco.
— A viagem foi estressante? — perguntou Carlos, abrindo um pacote de biscoitos.
— Mais ou menos. Não consegui dormir muito bem dentro do carro.
— É um pouco cansativo, mas que bom que você veio morar aqui. A cidade é bonita e aconchegante — disse Melissa, com um sorriso.
Durante nossa conversa, percebi que os alunos começaram a mudar de comportamento.
Não entendi de primeira, até que algumas pessoas entraram no pátio.
Eles eram misteriosos.
Estranhos.
Passavam devagar, com um andar elegante e diferente.
Eram quatro.
Uma garota e três garotos.
O último me olhou com os olhos gelados.
O problema é que não consegui tirar os olhos dele por um segundo.
Foi estranho...
Foi bizarro.
Só consegui desviar o olhar depois que ele passou por nós.
Foi uma sensação tão estranha que eu não queria sentir aquilo novamente.
— O que foi isso, menina? — perguntou Camilla.
— O quê? — olhei para ela, sem entender nada do que tinha acabado de acontecer.
— Ela quis dizer a química que acabou de rolar entre você e ele — falou Carlos, olhando para aquele grupo, que havia se sentado bem longe de nós e dos outros alunos.
— Como assim? Não senti nada demais. Só um frio na barriga e um medo estranho. Nunca senti isso antes. Quem são eles? — perguntei, por curiosidade.
Por incrível que parecesse, eles eram diferentes das outras pessoas.
Totalmente diferentes.
— Helena, eles são os Ashford. Os quatro são irmãos — explicou Carlos.
— Não sabemos exatamente de onde vieram, mas são diferentes de nós — disse Melissa.
— Eles não comem direito, mas isso não tem nada de errado… e as pessoas acham que são vampiros — falou Camilla.
Quando ela disse “vampiros”, me assustei por um momento.
Eles riram da minha cara.
— Estamos brincando com você, Helena. É só como chamam eles. Só são diferentes — disse Carlos, bagunçando meu cabelo.
— Confesso que o Cole é um gatinho. Pena que ele não me dá bola — Camilla fingiu um choro dramático.
Eu ri com a cena que ela fez. Foi divertida e engraçada. Os outros também riram da forma como ela havia feito aquilo.
Por um momento, meu sorriso desapareceu quando olhei para a mesa dos quatro.
Aquele mesmo garoto que havia me encarado estava olhando para mim como se eu fosse sua presa.
Aquele olhar...
Era frio e calculista.
Frio...
E...
Calculista.
Minhas bochechas esquentaram, e desviei o olhar imediatamente, voltando a rir junto com meus novos amigos.
Não foi ruim fazer amizade logo no primeiro dia de aula.
O que me incomodou foi aquele garoto esquisito que ficava me olhando de um jeito estranho.
Ele era bonito.
Mas estranho.







