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Cinco horas haviam passado desde a última vez que olhei pela janela. A chuva caía devagar, enquanto os pingos escorriam pelo vidro do carro.
— Dormiu bem? — perguntou meu pai, olhando pelo retrovisor interno.
Olhei para ele, ainda com aquela expressão sonolenta.
Ele entendeu o recado.
— Certo. Já estamos quase chegando.
Era a quinta vez que dizia a mesma coisa, mas nunca chegávamos.
Não sei exatamente quanto tempo passou. O carro fez uma curva e, finalmente, parou.
— Chegamos.
A voz ansiosa do meu pai me contagiou. Eu também estava ansiosa para chegar à nova casa e capotar na cama.
Depois que saímos do carro, meu pai ficou admirando o lugar onde iríamos morar agora.
A casa era bonita e aconchegante para mim. E o melhor: eu não precisaria dividir o quarto com ninguém.
— Você não vai entrar? — meu pai acendeu um cigarro.
— Vou. Eu só estou olhando.
A cidade era pequena, mas confortável. Era curioso saber que o nome dela havia sido dado como “Lago Azul” por causa do lago que ficava perto de onde eu estava morando agora.
Quero muito conhecer esse famoso “Lago Azul” de perto.
— Estou entrando.
Era a primeira vez que entrava na casa nova já mobiliada. Demorou meses para trazer tudo, mas valeu a pena e cada esforço.
Subi as escadas.
Meu quarto era maior que o antigo, e minhas coisas estavam desorganizadas por causa da mudança.
Eu sabia perfeitamente que teria que arrumar tudo antes de anoitecer.
As caixas estavam cheias e pesadas. Teria que fazer tudo sozinha.
Não quero meu pai mexendo nas minhas coisas.
Depois que meu pai resolveu entrar, ele ficou organizando o primeiro andar, enquanto eu cuidava do segundo.
Demorou muito mais do que eu imaginava. Quando percebi, a noite já havia chegado e estava quase na hora do jantar.
— Helena! — chamou meu pai em voz alta. — O jantar está pronto!
Graças a Deus eu tinha um pai que sabia cozinhar.
Não demorei para descer. Meus passos foram rápidos pelas escadas, até que pulei para o chão no último degrau.
— Parece que alguém está com fome e bastante animada — comentou ele, com um sorriso no rosto.
— Confesso que estou muito animada com a cidade e com a casa nova, mas estou morrendo de fome e de sono.
Sentei-me e fechei os olhos por alguns segundos, agradecendo pela comida.
— Consegui fazer seu prato favorito — disse meu pai, observando enquanto eu olhava para cada prato sobre a mesa.
O que meu pai não faria por mim?
Ele adorava me mimar, principalmente nas condições em que estávamos.
Cogumelos com macarrão.
Meu prato favorito.
E, para acompanhar, suco de laranja natural.
— Tente dormir cedo. Amanhã de manhã você tem aula no novo colégio — disse ele, levando o garfo à boca.
— Mas já? Achei que só iria para a escola na semana que vem.
— Sim. Fiz sua matrícula antes mesmo de trazer nossas coisas. A diretora disse que, assim que chegássemos, você já poderia começar. Mesmo sendo uma sexta-feira.
No antigo colégio, existia uma maluquice entre os alunos.
“Sexta-feira todo mundo faltará.”
Era por causa das aulas de física e química. A maioria dos alunos odiava aquelas matérias.
Eu não. Gostava das aulas e não fazia questão de faltar.
— Tudo bem. Vou me deitar assim que terminar o jantar.
Depois do jantar, tomei um banho e fui me deitar. Peguei o celular por um instante para conferir o horário.
10 PM
Suspirei e respirei fundo.
Era a segunda vez que mudava de escola e a primeira vez que mudava de cidade.
“Tudo vai dar certo amanhã, Helena. Confie em você mesma.”
Meu nervosismo aumentava aos poucos, mas fiz a técnica de respiração que conhecia para tentar me acalmar.
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Na manhã seguinte.
5 AM
Me arrumei.
Nada moderno. Tudo muito simples.
Uma blusa branca.
Calça jeans.
Tênis.
Minha mochila.
Desci para tomar café da manhã.
Meu pai estava preparando ovos mexidos e bacon.
— Bom dia — falei, abrindo um sorriso gentil.
— Bom dia, flor do dia.
Ele recebeu um beijo na bochecha antes que eu fosse me sentar.
— Como se sente com o primeiro dia de aula?
Meu pai colocou os ovos e o bacon no meu prato.
— Estou ansiosa — respondi, sentindo minhas pernas tremerem um pouco.
— Faz aquela técnica de respiração que te ensinei — disse ele, dando uma piscadela.
Sorri.
Ele tinha razão. Aquela técnica sempre funcionava quando eu precisava me acalmar.
Depois de um belo café da manhã, arrumei minha mochila e entrei no carro.
Passar pelas ruas da cidade era interessante. Nunca tinha visto uma cidade tão bonita.
As pessoas pareciam ser gentis.
Quinze minutos depois, desci do veículo.
Os alunos estavam por toda parte. Alguns me olhavam como se eu fosse uma estranha.
Tecnicamente, eu era.
— Pode ficar tranquila. Não vou pedir beijinho de despedida.
Fiquei envergonhada com o comentário, mas ele apenas sorriu.
— Tchau, pai... até mais tarde — acenei.
Meu pai apenas acenou com a cabeça.
— Bom estudo, filha. Fique bem. Qualquer coisa, é só me ligar.
Sorri, e ele foi embora com um sorriso no rosto.
“Ok, Helena... escola nova, pessoas novas, vida nova.”
“Você vai se acostumar.”
Entrei com medo e, ao mesmo tempo, perdida. O colégio não era tão grande, mas, naquela multidão de pessoas, eu certamente poderia me perder.
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— Helena Morris. Está tudo certo — disse a diretora, levantando-se. — Venha comigo, senhorita.
Segui a diretora até minha sala.
Foi mais do que eu esperava.
Os alunos me receberam bem, assim como o novo professor de história.
O aperto que eu sentia por dentro diminuiu, e finalmente consegui me sentir à vontade.
Olhei pela janela.
O sol começava a surgir devagar.
Eu sei que não está sendo fácil para o papai, nem para mim. Mas tenho certeza de que vamos conseguir seguir em frente com a nova vida que teremos.







