– QUANDO A VERDADE COMEÇA A FAZER RUÍDO
A noite caiu pesada sobre a casa.
Não havia discussões. Não havia gritos. Não havia cenas.
Mas havia algo muito mais perigoso: consciência.
William permaneceu no escritório até tarde.
O diário antigo de Daiane estava aberto sobre a mesa, junto de fotografias e alguns documentos que ele resgatara do fundo da gaveta — coisas que ele não tocava havia anos.
Não porque doessem. Mas porque confiava demais na versão que lhe fora dada.
Agora, pela primeira vez, ele não lia com nostalgia.
Lia com atenção.
As datas. Os lugares. As frases vagas demais para quem dizia ter vivido algo intenso.
E, principalmente, os intervalos.
Havia lacunas.
Momentos importantes simplesmente ignorados.
Ele fechou o diário, passando a mão pelo rosto.
— Por que agora? — murmurou para si mesmo.
A resposta veio clara demais:
Porque Ana não precisava mais dele.
E isso o obrigava a olhar tudo com outros olhos.
No quarto, Ana organizava seus materiais do concurso