– VERDADES QUE DOEM, AMORES QUE FICAM
O quarto estava em silêncio.
Não um silêncio vazio —
um silêncio pesado, carregado de coisas não ditas.
Téo estava acordado havia alguns dias.
Os ferimentos estabilizados.
O corpo ainda fraco, mas a mente funcionando rápido demais.
Ele observava tudo.
Os olhares trocados entre William e Ana.
As frases interrompidas.
O nome que ninguém dizia.
Foi ele quem decidiu encarar.
— Pai — disse, com a voz rouca, mas firme. — A gente pode parar de fingir?
William ergueu o olhar devagar.
— Fingir o quê? — perguntou, mesmo sabendo a resposta.
— Que nada aconteceu — Téo respondeu. — Que minha mãe simplesmente… sumiu.
Ana sentiu o coração apertar.
William puxou a cadeira e sentou ao lado da cama, apoiando os cotovelos nos joelhos.
Respirou fundo.
Sem rodeios.
— Você tem razão — disse. — Já passou da hora de falarmos a verdade.
Téo assentiu levemente.
— Eu lembro do carro — continuou. — Lembro da buzina. Do impacto.
Fez uma pausa.
— Eu só