capítulo 109

– O FIM QUE NINGUÉM PREVIU

DAIANE

O volante escapava das minhas mãos.

As lágrimas borravam tudo. A rua. Os faróis. O mundo.

— Não… não… — eu repetia, soluçando. — Era para ser ela… não ele…

A imagem voltava sem pedir permissão. O corpo pequeno. O impacto. O grito.

— Meu filho… — sussurrei, a voz quebrada. — Eu atropelei meu próprio filho…

O peito doía como se fosse rasgar. Respirar era impossível.

Pisei mais fundo.

O velocímetro subia. O carro tremia.

— Para! — gritei para mim mesma, mas não obedeci.

Uma curva. O asfalto molhado. O controle perdido.

O mundo girou.

Metal contra metal. Vidro estilhaçado. Silêncio.

Quando a ambulância chegou, não havia mais nada a ser feito.

Daiane Alves morreu no local.

HOSPITAL

O cheiro de antisséptico era sufocante.

Ana estava sentada no chão, encostada na parede fria do corredor. As mãos manchadas de sangue que não era dela. O olhar vazio.

William andava de um lado para o outro.

— Ele vai ficar bem… — repetia, como um mantra quebr
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