– QUANDO A VIDA RESPIRA DE NOVO
O relógio da parede marcava horas que ninguém conseguia acompanhar.
Ana já não sabia há quanto tempo estava sentada naquela cadeira. As mãos entrelaçadas. Os olhos fixos na porta fechada da sala de cirurgia.
William permanecia de pé. Imóvel. Como se sentar fosse admitir que poderia cair.
Nenhum dos dois falava. O silêncio era pesado demais para ser quebrado.
Até que a porta se abriu.
O médico saiu primeiro. A máscara pendurada no pescoço. O olhar cansado.
— Senhor William Alves… Ana Clara…
Eles se levantaram ao mesmo tempo.
— A cirurgia foi um sucesso — disse o médico, com voz firme.
Ana levou a mão ao peito. O ar voltou de uma vez, fazendo-a soluçar.
William demorou um segundo a reagir. Então passou a mão pelos cabelos, os olhos marejados.
— Ele… ele vai ficar bem? — perguntou, a voz rouca.
— O sangramento foi controlado — explicou o médico. — Não houve danos irreversíveis. Ainda é cedo para afirmar se haverá alguma sequela leve, mas… ele