– MOVIMENTOS QUE NÃO PODEM SER DESFEITOS
A casa parecia a mesma.
Os móveis no mesmo lugar. Os horários cumpridos. As refeições feitas juntos.
Mas nada estava igual.
William percebeu isso no detalhe mais simples: o silêncio de Ana não era mais defensivo. Era resolvido.
Ela não evitava. Ela não esperava. Ela simplesmente seguia.
E isso o incomodava mais do que qualquer discussão teria incomodado.
ANA
Passei a manhã inteira com Téo no jardim.
Ele brincava com os carrinhos, concentrado, criando histórias que só existiam na cabeça dele.
— Esse aqui é o pai — disse, apontando um boneco. — Esse é você. E esse é eu.
Sorri.
— E onde está a mamãe? — perguntei, com cuidado.
Ele deu de ombros.
— Ela some às vezes.
Meu peito apertou, mas mantive o rosto neutro.
— E quando ela some, o que você faz?
— Continuo brincando — respondeu. — Porque alguém sempre volta.
Aquilo ficou comigo.
Talvez ele fosse mais forte do que todos nós.
Daiane observava pela janela.
O olhar era duro.
N