capítulo 80

– MOVIMENTOS QUE NÃO PODEM SER DESFEITOS

A casa parecia a mesma.

Os móveis no mesmo lugar. Os horários cumpridos. As refeições feitas juntos.

Mas nada estava igual.

William percebeu isso no detalhe mais simples: o silêncio de Ana não era mais defensivo. Era resolvido.

Ela não evitava. Ela não esperava. Ela simplesmente seguia.

E isso o incomodava mais do que qualquer discussão teria incomodado.

ANA

Passei a manhã inteira com Téo no jardim.

Ele brincava com os carrinhos, concentrado, criando histórias que só existiam na cabeça dele.

— Esse aqui é o pai — disse, apontando um boneco. — Esse é você. E esse é eu.

Sorri.

— E onde está a mamãe? — perguntei, com cuidado.

Ele deu de ombros.

— Ela some às vezes.

Meu peito apertou, mas mantive o rosto neutro.

— E quando ela some, o que você faz?

— Continuo brincando — respondeu. — Porque alguém sempre volta.

Aquilo ficou comigo.

Talvez ele fosse mais forte do que todos nós.

Daiane observava pela janela.

O olhar era duro.

N
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