– O QUE PERMANECE
TÉO
Quando a gente cresce, percebe que a vida não se divide em momentos felizes e tristes.
Essa divisão é simples demais para tudo o que realmente importa.
A vida se divide em antes e depois.
O meu “depois” começou cedo demais.
Começou quando eu ainda estava aprendendo a diferenciar silêncio de paz, e ausência de liberdade. Eu tinha quinze anos quando entendi, da forma mais brutal possível, que o amor também pode machucar — e que algumas pessoas não sabem amar sem destruir o que tocam.
Naquele tempo, eu achava que o problema era comigo. Que se eu fosse melhor, mais calmo, mais obediente, tudo teria sido diferente. Demorei anos para compreender que certas dores não são provocadas por quem sente, mas por quem não sabe lidar com o próprio vazio.
Levei ainda mais tempo para entender que minha mãe não foi apenas a vilã da história.
Ela foi uma mulher quebrada, sufocada pelas próprias escolhas, incapaz de lidar com perdas, limites e frustrações. Uma mulher que con