– QUANDO O SILÊNCIO VIRA FORÇA
ANA
A casa continuava a mesma.
Os corredores. Os móveis. Os horários.
Mas tudo havia mudado.
Eu sentia isso no ar.
Nos olhares que não vinham. Nas conversas que cessavam quando eu entrava. No cuidado excessivo de Daiane, agora sempre presente, sempre doce, sempre… visível.
Eu me tornei invisível.
E, pela primeira vez desde que cheguei ali, entendi o peso disso.
No café da manhã, Daiane se sentava ao lado de William. Falava sobre reuniões, agendas, decisões da empresa — como se aquele espaço sempre tivesse sido dela.
— A apresentação de hoje foi cansativa — comentou ela. — Mas rendeu bons frutos.
William assentiu, atento.
Eu ficava do outro lado da mesa, ajudando Téo com o pão, como sempre.
— Ana, você pode levar o Téo hoje? — William perguntou certa manhã.
A pergunta era prática. Mas o tom era distante.
— Claro — respondi.
Sem discutir. Sem olhar demais.
Eu estava aprendendo a sobreviver naquele novo espaço:
o espaço onde eu não tinha v