Mundo de ficçãoIniciar sessãoWilliam Wueinnox, um empresário carismático e workaholic, sempre foi conhecido por sua rotina impecável e sua aversão a compromissos sérios. Aos 32 anos, ele vive entre reuniões, contratos e noites regadas a vinho — sempre com uma companhia diferente. Frio, direto e um pouco arrogante, William jamais imaginou que uma noite de chuva, álcool e nostalgia ao lado de sua melhor amiga e assistente, Seraphine Ravenny, mudaria completamente sua vida. Cinco anos atrás, uma mentira inocente — um casamento falso para acalmar a mãe exigente de William — parecia a solução perfeita. Seraphine, doce, discreta e sempre prestativa, aceitou ajudá-lo sem imaginar que essa farsa voltaria para assombrá-los. Agora, com Kaia Wueinnox prestes a retornar da Europa e ansiosa para conhecer a “esposa perfeita” do filho, ele precisa que Seraphine assuma o papel... de verdade. O problema? Eles acordaram juntos, com alianças nos dedos e um documento assinado que parece oficial demais. Entre lembranças confusas da noite anterior, sentimentos antigos e uma convivência forçada, William e Seraphine terão que decidir se o amor pode nascer do acaso — ou se tudo não passa de mais uma confusão digna de um bom romance.
Ler maisCinco anos atrás...
William Wueinnox entrou em seu apartamento em Seul, afrouxando a gravata e dobrando as mangas da camisa social até os antebraços. Exausto, mas satisfeito, ele havia acabado de pedir sua namorada em casamento. A vida parecia finalmente entrar nos trilhos. Enquanto se jogava no sofá, o telefone tocou, ecoando pela sala silenciosa.
— Alô? — atendeu com um suspiro.
— William, meu filho! Que bom que atendeu! — a voz animada de Kaia Wueinnox, sua mãe, atravessou o oceano com entusiasmo. — Estou morrendo de saudades. Hael e eu estamos encerrando os negócios aqui em Lisboa. Infelizmente ainda não voltaremos para casa. Seu pai quer tentar abrir uma filial na Grécia, mas vou tentar o convencer a voltamos para pelo menos ver você, querido.
William sorriu, mesmo sabendo que a provável volta dos pais significava uma enxurrada de expectativas.
— Que bom, mãe. Já sou adulto, mas vai ser bom ter vocês por perto. Isto, se a senhora conseguir convencer o pai a fazer uma pausa e voltar para casa.
— Claro que sim, meu amor. E então, alguma novidade?
William hesitou. Passou a mão pela nuca, nervoso.
— Eu... vou me casar.
O grito de felicidade do outro lado da linha quase o fez afastar o telefone da orelha.
— Meu bebê vai se casar! Estou tão feliz! E com quem? Quando será a cerimônia? Quero organizar tudo!
— Mãe, calma. Vai ser só no civil. Nada de festa.
— Ah, mas eu queria tanto estar presente... — lamentou Kaia. — Pelo menos me mande fotos. E diga que ela é maravilhosa!
— Claro, mãe. Você vai adorar quando conhecê-la.
William desligou o telefone se sentindo ainda mais feliz, pois a coisa que mais amava no mundo era ver sua mãe feliz. Como fez agora, depois de informar sobre seu casamento.
Só que o que William não sabia, era que não teria casamento algum. Pois dias depois, ele descobriu que sua namorada o havia lhe traído mais de uma vez, o que o fez cancelar o casamento e romper qualquer laço com ela. Mas, os telefonemas de sua mãe continuavam e ele não querendo desapontá-la, continuou com a mentira de já estar casado e foi vivendo a vida.
Presente:
O sinal vermelho refletia nas ruas molhadas de Stormnight , iluminando o interior do carro de luxo estacionado na faixa de pedestres. Dentro dele, William Wueinnox mantinha os olhos fixos na luz à frente, os dedos relaxados sobre o volante. Seu semblante era tranquilo — até o celular vibrar sobre o painel.
Ao ver o nome na tela, suspirou. Mais uma vez, teria que sustentar a mentira.
— Pronto?
— William, meu filho! Como você está? — a voz animada de Kaia Wueinnox atravessou a linha com o entusiasmo de quem não falava com o filho há meses.
— Estou bem, mãe.
— E minha nora? — ela riu, como sempre fazia ao tocar no assunto.
— Também está bem
— E minha netinha? — William fechou os olhos por um segundo. Aquela era a parte mais difícil.
Três nos atrás...
— Seraphine, se minha mãe ligar... pode fazer um favor? — ele perguntou, parado à porta da sala de reuniões.
— Qual? — ela respondeu, sem levantar os olhos dos relatórios.
— Finja que é minha esposa. Só... não conte a verdade. Ainda não tive coragem de dizer que não estou casado.
Seraphine ergueu o olhar, incrédula.
— William, já se passaram dois anos. Você ainda não contou?
— Me desculpe se não sou o filho perfeito. Só... finja. Por favor.
Ele entrou em sua sala, tentando se concentrar nos contratos do dia. Mas quando ouviu o telefone tocar e viu Seraphine atender, soube que a mentira estava indo longe demais.
A porta da empresa se abriu e uma garotinha de dois anos entrou correndo, seguida por uma cliente mais velha. William observou em silêncio.
— Bom dia, Kaia — disse Seraphine ao telefone, com um sorriso forçado. — Fico feliz em poder falar com a senhora.
Ela olhou para ele, com um olhar que misturava reprovação e cumplicidade.
— Ah, sim, seu filho está ótimo, não se preocupe.
Seraphine desviou o olhar ao ver a criança subir na mesa de centro. Quando a menina se desequilibrou, Seraphine correu até ela, ainda com o telefone na mão, e a pegou no colo.
— Nyx, filha, não faça isso — disse, sem perceber o que acabara de falar.
William congelou. Caminhou até ela e arrancou o telefone de suas mãos, torcendo para que sua mãe não tivesse escutado. Mas era tarde demais.
De volta ao presente...
— Ela está bem, mãe — respondeu, com um suspiro pesado. A mentira já não parecia tão inofensiva.
— Querido, tenho uma surpresa! Seu pai e eu estamos voltando. Vamos te visitar. Quero conhecer minha nora... e minha netinha.
— O quê?! — William quase gritou.
— Nos vemos em uma semana. Mande um beijo para Seraphine e Nyx.
A ligação caiu. William permaneceu imóvel, o celular ainda na mão. O coração acelerado. A mentira que ele sustentou por anos estava prestes a se tornar seu maior pesadelo.
Agora, teria que encenar o papel mais difícil da sua vida. E convencer Seraphine Ravenny a ser sua esposa mais uma vez.
O problema? Seraphine não era sua esposa. Era sua assistente. E a história do casamento... era uma mentira. Uma farsa inventada para acalmar Kaia, que vivia cobrando um neto e uma esposa perfeita para o filho. William nunca imaginou que essa mentira voltaria à tona.
Principalmente agora, com Kaia e Hael voltando para a Stormnight... e trazendo presentes para a neta que acreditam existir: Nyx.
William desligou o telefone com um sorriso forçado. O que começou como uma desculpa inocente agora exigia uma solução real. E só havia uma pessoa que poderia ajudá-lo a sustentar essa farsa: Seraphine.
A mulher que ele sempre considerou “sem graça demais” para seu mundo..., mas que, por algum motivo, estava cada vez mais presente em seus pensamentos.
Seraphine chegou em casa se sentindo mais feliz do que nunca. Admitia para si mesma que precisava de um tempo para se cuidar. Desde a separação, havia se dedicado quase exclusivamente à filha. Ao abrir a porta, viu Nyx e Scarllet, a ruiva, sentadas no sofá. Assim que a viram, ambas sorriram e se levantaram. — Mamãe, você chegou! — gritou Nyx, correndo e abraçando as pernas da mãe. — Você cortou o cabelo! Os fios ondulados agora caíam até a metade da cintura, bem diferentes dos longos cabelos que antes chegavam ao quadril. — Está linda, Seraphine. Tenho certeza que vai dar tudo certo amanhã — disse Scarllet, com um sorriso acolhedor. — Obrigada, Scarllet. E me desculpe por fazê-la esperar. Tenho certeza que está cansada. Obrigada por tudo — disse Seraphine, abraçando a amiga com carinho. — Vou indo então. Boa sorte para vocês duas — disse Scarllet, desviando das sacolas espalhadas pela sala e saindo pela porta. — Tem alguma coisa pra mim, mamãe? — perguntou Nyx, com os olhinhos b
Seraphine estava sentada à sua mesa, organizando relatórios, mas sua mente estava longe dali. A conversa com William na manhã de ontem, ainda ecoava em sua cabeça. Ela havia aceitado participar da farsa — mesmo que agora fosse uma verdade legal. E Nyx, como sempre, já estava envolvida com a leveza de quem encara tudo como uma brincadeira. O som do elevador a tirou dos pensamentos. William entrou acompanhado de Jinx, que caminhava ao lado dele com um sorriso discreto. — Bom dia, Seraphine — disse William, com a voz firme. Seraphine se sobressaltou, derrubando alguns papéis. — B-Bom dia, William — respondeu, abaixando-se para recolher os documentos. — Podemos conversar? Antes que o escritório fique cheio? — Claro. Já imagino sobre o que é. — Então... conseguiu pensar melhor? — Eu já aceitei, lembra? — disse ela, encarando-o. William assentiu, aliviado. Ainda era difícil acreditar que ela havia concordado. Queria abraçá-la, mas se conteve. — Ótimo. Minha mãe chega amanhã. Quero
Ela o encarou por um longo tempo. A chuva lá fora parecia ter parado, mas dentro dela, a tempestade ainda rugia. — Tá bom, William. Eu vou te ajudar. Mas só até seus pais irem embora. — Combinado — ele disse, tentando esconder o alívio. — E mais uma coisa... — ela completou, apontando o dedo para ele. — Sem mais bebidas. Sem mais capelas. E sem mais músicas do Bruno Mars. William riu. — Prometo. Mas... posso continuar te chamando de “minha esposa”? Seraphine revirou os olhos, mas não respondeu. Seraphine se virou em silêncio e caminhou até a cozinha. William a seguiu, ainda sorrindo, como se aquele pequeno acordo tivesse tirado um peso de seus ombros. Ela abriu um dos armários e começou a procurar a cafeteira. — Você não sabe onde guarda o café? — perguntou, arqueando uma sobrancelha. — Sei... é que normalmente a Jinx cuida disso. Mas hoje ela não veio — respondeu ele, encostando-se à bancada. — Claro. O CEO não tem tempo pra café caseiro — disse ela, com um tom brincalhão.
A manhã em Stormnight continuava cinzenta, com a chuva persistente tingindo as janelas do apartamento de tons melancólicos. Seraphine estava no quarto, sentada na beirada da cama, observando Nyx brincar com sua boneca de pano no tapete. A menina sorria inocente, alheia ao turbilhão que se passava na cabeça da mãe. William, por sua vez, estava na cozinha, preparando café como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Mas nada estava normal. Eles estavam casados. Legalmente. E agora, Seraphine precisava decidir o que fazer com isso. — Nyx... — ela chamou, com a voz suave. — Sim, mamãe? — William me disse que conversou com você. Se... se o William fosse seu pai... você gostaria? Nyx parou de brincar e pensou por um segundo. — Ele já parece meu pai. Ele me dá chocolate escondido de você. E me levou pra comer batata e me prometeu um pônei! Seraphine riu, nervosa. — Então, foi isso que ele te prometeu? Isso não é um bom motivo. E Nyx... você sabe que o William não é seu pai, cer
Ainda um pouco transtornada, pois sabia que havia se metido na pior mentira — agora verdade — de sua vida, Seraphine ouviu o celular tocar e caminhou até a cabeceira da cama para atender. O aparelho estava ao lado das alianças. — Alô? — Seraphine, sou eu, Scarllet. Só estou te ligando para perguntar se já posso deixar Nyx aí. É que preciso ir ao médico... sabe, ando sentindo pequenas dores. Seraphine sorriu. Sabia que Scarllet estava grávida de poucos meses, mas ainda insistia em trabalhar. Embora fosse apenas três anos mais velha, Seraphine a via como uma irmã. — Claro, não se preocupe — respondeu, despedindo-se da amiga e desligando o telefone. Agora, um novo problema surgia. Nyx havia passado a noite na casa de Scarllet, que também era sua babá, enquanto Seraphine saía com William. E olha só no que deu? Antes tivesse ficado com a filha em casa. Ela sabia que William não gostava muito de crianças — pelo menos na empresa — mas com Nyx ele até que gostava, embora nunca admitisse.
William e Seraphine estavam sentados à mesa da cozinha, ainda em choque com o papel assinado e as alianças sobre a mesa de cabeceira. O silêncio entre eles era denso, mas não desconfortável. Ambos tentavam, em silêncio, juntar os pedaços da noite anterior. — Precisamos lembrar... — disse Seraphine, encarando o papel. William passou a mão pelos cabelos, ainda bagunçados. — Depois do bar... o que aconteceu? Seraphine fechou os olhos, tentando puxar as memórias. Aos poucos, as imagens começaram a surgir. _______________________________________________________________________________________Flashback – A noite em Stormnight Eles saíram do bar rindo, cambaleando pelas ruas molhadas de Stormnight. A cidade estava silenciosa, envolta por uma brisa leve e o brilho suave da lua refletindo nas poças de chuva. — Sabe o que seria divertido? — disse William, com um sorriso torto, segurando a mão de Seraphine. — Comer pizza? — ela respondeu, rindo. — Casar com você. Seraphine parou de an





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