capítulo 74

– QUANDO NINGUÉM ESTÁ OLHANDO

ANA

Eu aprendi cedo que o silêncio também pode ser um tipo de proteção.

Nos últimos dias, tinha falado menos. Observado mais. Respirado fundo antes de responder.

Não por fraqueza.

Por sobrevivência.

A casa já não era um lugar neutro.

Daiane circulava pelos cômodos como quem mede território. Com passos leves. Sorrisos ensaiados. E olhos atentos demais.

William… estava dividido.

E eu sentia isso no jeito como ele me olhava. Como se tentasse entender algo que ainda não tinha nome.

Naquela tarde, encontrei Daiane na cozinha.

Sozinhas.

Ela fechou a porta devagar.

— Você parece cansada, Ana — comentou, com voz suave demais. — Deve ser difícil viver de favor.

Não respondi.

Continuei organizando as compras.

— Engraçado… — continuou. — Sempre achei curioso como você se encaixou rápido aqui.

Como se estivesse esperando essa oportunidade.

Virei-me devagar.

— O que você quer dizer com isso?

Ela se aproximou.

Perto demais.

— Quero dizer que você não é família — diss
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