– O QUE AINDA TREME, MESMO QUANDO É VERDADE
ANA
O silêncio do carro parecia mais alto do que qualquer aplauso daquela noite.
As luzes da cidade passavam rápidas pela janela, mas dentro de mim tudo se movia devagar demais. William estava ao meu lado, respeitando um espaço que eu não pedi — e que ele, finalmente, sabia oferecer.
A declaração dele ainda ecoava na minha cabeça.
“Sou o homem que ama Ana Clara.”
Dita em público.
Dita sem cálculo.
Dita sem medo.
E, ainda assim, meu coração não correu imediatamente para os braços dele.
Porque amar não apaga o que feriu.
— Você não precisa dizer nada agora — William disse, quebrando o silêncio. — Eu sei que não é simples.
Olhei para ele.
O homem que eu amei quando não sabia me proteger.
O homem que perdi quando precisei crescer sozinha.
O homem que agora parecia diferente — mas que ainda carregava o peso do passado que dividimos.
— Eu te amei muito — respondi, com honestidade. — Mais do que eu mesma, por um tempo. E isso… me as